Em “O Rap do Meu Samba”, a cantora Janine Mathias tece uma poderosa declaração de amor às suas raízes musicais. O álbum, já disponível nas plataformas, representa a fusão espiritual dos dois gêneros que moldaram sua trajetória: a força contestadora do rap e a alma ancestral do samba.
Para Janine, essa mistura vai muito além de uma escolha estética – é uma questão de identidade. “Na minha cabeça não existe separação entre esses ritmos”, explica a artista, que cresceu entre batalhas de rap em Brasília e hoje vive em Curitiba. “O rap é minha paixão e o samba minha história”.
A conexão entre esses universos se revela em cada faixa do disco. “Devoção”, um dos singles de trabalho, apresenta Janine com seu filho Khalil no colo em um videoclipe de fotografia sensível, enquanto celebra o samba como “religião, devoção e razão para sonhar”. Já em “Barracão é Seu”, a parceria com Criolo materializa o diálogo entre os gêneros, com a cantora mandando versos firmes acompanhada pelo rapper.
A produção de Rodrigo Campos consegue o equilíbrio perfeito entre tradição e contemporaneidade. Em “Me Ilumina”, composição da própria Janine, o baixo conversa naturalmente com repique, pandeiro e cavaquinho, criando um “samba roque” que honra as origens sem se prender a convenções. Já “Me Enfeita”, de Raissa Fayet, incorpora programações eletrônicas que poderiam facilmente integrar o repertório de nomes como Baco Exu do Blues ou Rincon Sapiência.
O álbum é também um tributo à ancestralidade musical brasileira. Janine homenageia desde lendas como Leci Brandão, Dona Clementina de Jesus e Jovelina Pérola Negra até nomes contemporâneos da música preta como Luedji Luna e Tássia Reis.
