O rapper mineiro Djonga, um dos nomes mais importantes da nova geração do hip hop nacional, confirmou participação na manifestação contra a PEC da Bandidagem (PEC 9/2024) em Belo Horizonte. Conhecido por popularizar a frase “fogo nos racistas” e por letras que criticam o racismo, a desigualdade social e a opressão, o artista se junta a outros ícones da música brasileira em protestos que ocorrem em várias capitais neste fim de semana.
A confirmação gerou uma enxurrada de comentários negativos de apoiadores do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro em suas redes sociais. A reação mostra a profunda dissonância cognitiva em que essas pessoas estão imersas.: o hip hop, desde sua origem, é um gênero musical profundamente engajado na luta contra injustiças e na defesa dos direitos das minorias.
A reação dos bolsonaristas parece ignorar a essência do hip hop, que surgiu nas periferias norte-americanas como voz de resistência contra a opressão policial, o racismo e a exclusão social. No Brasil, não é diferente. Artistas como Racionais MC’s, Sabotage, 509-E, DMN, Emicida, e o próprio Djonga construíram suas carreiras denunciando violência policial, desigualdade e a perpetuação de estruturas de poder que marginalizam negros, pobres e periféricos.
O fato de apoiadores de Bolsonaro se surpreenderem com a posição de Djonga revela o desconhecimento histórico, uma falta de compreensão sobre a trajetória e a essência politicamente engajada do hip hop e do artista. Eles consomem a arte e a estética do gênero sem absorver ou compreender sua mensagem política de fundo.
O ato em Belo Horizonte, assim como os marcados para o Rio de Janeiro e outras cidades, é uma resposta da sociedade civil e de setores culturais à PEC da Bandidagem, que busca ampliar as imunidades parlamentares, e a qualquer tentativa de anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
