Desafiar as subjetividades da vida e da morte: essa é a missão que Jup do Bairro se auto-impõe, gera e confia em seu primeiro álbum de estúdio, Juízo Final, lançamento Natura Musical, por meio do selo Meia Noite FM.
São quinze faixas que juntas trazem uma narrativa poderosa: a insurreição de um corpo sem juízo, um “vaso ruim” que não quebra, ainda que passe por diversos testes de quedas dentro de um sistema violento e opressivo.
Com direção e produção musical compartilhada entre Jup do Bairro e FUSO!, Juízo Final também traz produções de Apeles, Baby Plus Size, Exfera, CyberKills, Thiago Klein e VINEX. Por isso mesmo o trabalho aglutina diferentes estilos em uma só obra, resultado orgânico de uma artista atenta ao seu tempo e referências.
Estão ali as várias Jups que conhecemos do EP CORPO SEM JUÍZO (2020) até aqui: a Jup do Funk, a Jup do House, a Jup do Pop, a Jup do Pagode, a Jup do Rock… e também outras facetas inéditas, como a Jup da Aparelhagem e a Jup do Metal. Passeando por cenas distintas, sempre com um domínio estético autêntico, em Juízo Final a artista se guiou justamente pelo tensionamento de elementos diversos, em combinações inéditas, na sua carreira até aqui.
“Juízo Final não é apenas um álbum; é o espelho de uma urgência contemporânea”, reflete Jup do Bairro, metaforicamente. “É uma festa onde a anfitriã está tão obcecada em recepcionar bem os convidados – em cumprir todas as obrigações, em fazer tudo ‘certo’ – que se esquece de celebrar a própria existência e a própria conquista”.
A artista paulistana, do bairro do Valo Velho, Zona Sul de São Paulo, acredita que essa metáfora ressoa o que estamos vivendo em coletivo, especialmente na vida e obra dos agentes culturais. “É tanto trabalho, é tanta luta pela sobrevivência e por espaço, que nos falta tempo e fôlego para internalizar, celebrar e até mesmo entender onde chegamos. Ficamos presos ao ‘fazer’ em vez de contemplar o ‘ser e star’”, reflete Jup.
Sobre a produção musical de FUSO!, o caminho já vinha sendo trilhado desde “Amor de Carnaval”, faixa lançada em 2024. De acordo com Jup, “FUSO! e eu já tocamos juntos sem ao menos nos conhecermos. Há alguns anos, ele estava tocando em uma festa e o dono pediu para eu improvisar algo no set do DJ que estava tocando. Depois, fui em outra festa e o ouvi tocar novamente e de forma instantânea pensei: ‘quero trabalhar com ele’”, ela completa. “Nosso primeiro encontro registrado foi em ‘Amor de Carnaval’, com Maria Alcina e Pagode da 27, desde então ele se tornou meu DJ fixo e produtor de grande parte de minhas músicas e publicidades”.
Jup do Bairro traz em sua ficha técnica a participação especial da banda Black Pantera e do cantor e compositor Negro Leo, respectivamente em “ROCKSTAR” e “A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ F*** COMIGO”.
“O álbum ecoa essa celebração necessária, de que, apesar de tudo, a arte insiste em existir – e ela é a festa que precisamos aprender a aproveitar agora, com quem acreditamos. Por isso convido Black Pantera e Negro Leo, é uma confraternização febria e quem está no baile contagia e contamina. O que Negro Leo, Black Pantera e Jup do Bairro têm em comum? Talvez a urgência de sobreviver ao novo fim do mundo”, disserta a artista.
