O rapper Kauê Noslen lançou na última quinta-feira (28) o single “Pog, o Narciso Negro”, apresentado como um manifesto de autoestima, confiança e orgulho negro. A faixa ultrapassa a ideia de mero elogio à própria imagem, assumindo um tom de afirmação identitária e libertação das “amarras da mente”. No trabalho, Kauê assume a voz de Pog, seu alter-ego, para narrar um renascimento pautado na liberdade emocional e espiritual.
Com produção de Padilhas, integrante do coletivo Frenesi – do qual Kauê também faz parte –, a música traz uma atmosfera densa e cinematográfica. As referências são locais e ancestrais: o artista, nascido e criado na região da Vila Matilde, em São Paulo, dialoga com o enredo da escola de samba Nenê de Vila Matilde dos carnavais de 1997 e 2022, transformando a tradição em força estética e rítmica.
“Sublime, divinal, herança de Zumbi / Sempre mil grau, no pique de Ali”, declama Kauê em um dos versos, reforçando a conexão com figuras históricas de resistência. A mixagem e masterização, assinadas por Gabriel Lou, também do Frenesi, acentuam o peso da interpretação e a identidade sonora da faixa.
Em trechos como “Olha pra esse monstro, você que criou”, o rapper ecoa tanto um aviso quanto uma celebração de seu próprio amadurecimento. “Pog, o Narciso Negro” consolida uma nova fase do artista, que resgata suas raízes periféricas e as traduz em um discurso potente de autoafirmação. A faixa está disponível em todas as plataformas digitais.
