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“Lemonade” é uma obra-prima atemporal que nem os detratores de Beyoncé tem coragem de criticar

"Lemonade" é uma obra-prima atemporal que nem os detratores de Beyoncé tem coragem de criticar

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O álbum como experiência auditiva pode ser subestimado por uma nova geração acostumada com singles e pílulas do Tik Tok, mas ainda é a coisa mais incrível no que se diz respeito a experiência com música. No início dos anos 2000, temia-se sua morte com a ascensão do download de faixas avulsas, e bem, nenhum single avulso vai substituir a trajetória que é ouvir um disco da primeira até a última faixa.

Grandes nomes frequentemente se reinventam de forma ousada. Beyoncé é um desses fenômenos que insistem em fazer de cada álbum um conceito ousado, cheio de nuances e com excelência na produção. e Taylor Swift, cada uma com quatro álbuns em nossa lista, são exemplos notáveis:

Falando especificamente de “Lemonade”, álbum escolhido pela Rolling Stone como melhor do século XXI, a cantora criou um universo musical, pessoal e político.

Lançado em 2016, o trabalho superou outros 249 concorrentes em uma lista que avalia relevância artística, inovação estética e impacto cultural.

De acordo com a publicação, “Lemonade” vai muito além de um disco convencional, constituindo-se como uma obra narrativa multifacetada que integra música, cinema e ativismo. Em vez de apenas uma coleção de faixas, o projeto é apresentado como um filme musical denso e emocional, que explora temas como traição, cura, ancestralidade e empoderamento.

Em seu texto, a Rolling Stone ressalta: “Lemonade sempre foi mais do que apenas um álbum. É um filme musical tão em camadas, lindo e assustador quanto um drama canônico, uma matriz de desgosto geracional, uma celebração do legado e um mapa desenhado à mão para as interseções das vidas interpessoais e políticas de muitas mulheres negras.

A revista também destaca o papel do álbum como um marco na representação das mulheres negras na cultura contemporânea. Canções como “Formation”, “Don’t Hurt Yourself” e “Freedom” ilustram a potência política e emocional que consagraram “Lemonade” não apenas como um sucesso comercial, mas como um fenômeno cultural e um legado artístico duradouro.

 "Lemonade" é uma obra-prima atemporal que nem os detratores de Beyoncé tem coragem de criticar

Mas sobre as impressões desse que vos escreve, “Lemonade” foi ainda mais além. Tranformou a cultura negra e a dor em arte. E mesmo que há muitos acusadores de Beyoncé, alegando que a cantora usou pauta racial para lucrar, é inegável que a artista concebeu um dos maiores discos de uma artista pop.

O sexto álbum de estúdio da ex-Destiny Child é uma rica miscelânea sobre a cultura negra forjada nos Estados Unidos da América, país severamente avesso à existência de negros poderosos entre sua população. As coreografias apresentadas no clipe de “Formation” podem ser interpretada como metáforas para os atos de resistência e afirmação política do povo negro. Não à toa, foi neste álbum que surgiu a famosa esquete “O momento em que os Estados Unidos descobriram que Beyoncé era negra”.

O próprio título do álbum carrega em si uma filosofia clichê, mas enriquecido com a sequência de canções poderosas: “eles me serviram limões, mas eu fiz uma limonada”. E seria ótimo se Beyoncé pegasse ainda com mais força o estandarte de nomes como Malcolm X e reestruturasse de vez a forma de fazer poesia de protesto, fortalecendo um movimento já tradicional de resitência do povo preto estadunidense. No entanto, estamos falando de uma artista que se conecta de forma intrínseca a indústria,com todas as contradições que isso traz (isso é assunto para outro texto).

Musicalmente, “Lemonade” representa grandiosa evolução em relação álbum “BEYONCÉ”, lançado em 2013. As batidas do R&B e hip-hop ainda estão presentes, mas dividem harmoniosamente espaço com o rock vigoroso de “Don’t Hurt Yourself”, com participação mais que bem-vinda de Jack White, enquanto o sample de Led Zeppelin destrói (no bom sentido) as ondas sonoras. Muito antes de “Cowboy Carter”, o blues country de “Daddy Lessons” já encorpava o repertório da cantora enquanto a bela “All Night” faz as vezes do soul no estilo Motown.

A produção do álbum reuniu u”m coletivo notável de talentos, desde a atmosfera minimalista”apenas” James Blake em “Forward” Diplo, Ezra Koenig do Vampire Weekend, Father John Misty e membros do Yeah Yeah Yeahs, que cederam o verso “They don’t love you like I love you”, originalmente de “Maps”.

O empoderamento feminino pasteurizado dos primeiros discos sai de cena e entra o discurso cheio de camadas, que ganha dimensões políticas mais conscientes, o que pode ser conferido em “Hold Up”, “Love Drought” e “Sorry”. A luta coletiva é tema e ápice na icônica “Freedom” , colaboração com Kendrick Lamar, outro provocador que encaixou álbuns na lista da Rolling Stone.

“Lemonade” nos lembra que a música pop não precisa ser vazia para atingir as massas. Arte pode e precisa ser transformadora, mesmo que também seja entretenimento e Beyoncé concebeu musculatura única neste álbum.

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Última atualização em: 31 de dezembro de 2025 às 21:52

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