A obra “Frequências Afro Pindorâmicas”, da escritora maranhense Carolina Maria Bruzaca, propõe uma nova leitura sobre o reggae produzido no Maranhão. A obra investiga como o reggae foi recriado em São Luís a partir das experiências históricas, territoriais e culturais da população negra e indígena da ilha, tornando-se uma linguagem própria de pertencimento, memória e resistência.
A pesquisa acompanha a expansão urbana do bairro da Liberdade e as transformações sociais ocorridas em São Luís desde a década de 1970 para compreender como o reggae se consolidou como uma das principais expressões culturais do Maranhão. Nesse percurso, evidencia-se que a música extrapola sua dimensão sonora e participa da construção de territorialidades, redes de sociabilidade e formas de elaboração da memória coletiva.

O livro aproxima história, urbanismo, fotografia e cultura visual para investigar como essas frequências sonoras também produzem paisagens, imagens e modos de habitar a cidade.
O tema “afro pindorâmico” orienta essa leitura ao reconhecer que o reggae maranhense não resulta apenas de uma circulação atlântica entre Jamaica e Brasil. Ele se constitui no encontro entre heranças africanas, festas indígenas, culturas populares e dinâmicas urbanas próprias da Amazônia maranhense. O território deixa de ser apenas cenário e passa a ser entendido como agente da criação cultural, onde o som, o corpo, a festa e a cidade produzem novas formas de existência.
A primeira edição do livro integra o programa de Circulação Literária do Centro Cultural Banco do Nordeste, com atividades em Juazeiro do Norte (CE), Mossoró (RN), Fortaleza (CE) e Cajazeiras (PB). A circulação reúne lançamentos, conversas públicas e encontros com leitores, criando espaços para compartilhar os resultados da pesquisa e ampliar o diálogo sobre as conexões culturais entre o Caribe, o Nordeste e a Amazônia.
