Após uma década construindo uma das trajetórias mais originais da música brasileira, Luiz Lins apresenta “Os Canalhas Também Envelhecem”, seu segundo álbum de estúdio. Disponível em todas as plataformas digitais via ONErpm a partir desta terça-feira (7), o projeto reúne 12 faixas e marca uma nova fase artística do cantor e compositor pernambucano. Inspirado pelas sonoridades do Nordeste, o disco aproxima o brega, o forró, o sertanejo e a música eletrônica de referências do rap, do R&B e da música latina para contar uma história sobre culpa, arrependimento, amor e redenção. O projeto ainda conta com participações de João Gomes, Mestrinho, MC Tocha, MC Braz, Rafaela Santos e WIU.
Natural de Nazaré da Mata (PE), Luiz Lins consolidou sua carreira transitando entre diferentes gêneros musicais sem perder sua identidade. Em “Os Canalhas Também Envelhecem”, essa característica ganha uma dimensão ainda mais profunda. O álbum nasce como uma obra conceitual, em que todas as músicas acompanham o mesmo personagem durante um processo de autoconhecimento. Ao longo da narrativa, ele revisita relações interrompidas, enfrenta as consequências das próprias escolhas e entende que o perdão que procura nos outros só pode ser encontrado em si mesmo.
A faixa de abertura, “Os Canalhas Também Envelhecem”, apresenta o protagonista da história. Construída a partir da união de duas composições diferentes, ela traz a única aproximação mais evidente com o trap e revela um personagem debochado, contraditório e imperfeito. “Ela reúne, de maneiras diferentes, quase tudo o que o disco tenta dizer”, explica Luiz.

Em “Pecado Mortal”, o artista mergulha na música latina para falar sobre a possibilidade de reencontrar um amor do passado. A faixa mistura bachata e elementos eletrônicos em uma das composições mais leves do projeto. Já “Todas As Coisas Que Brilham” desacelera completamente o ritmo para retratar, com delicadeza cinematográfica, a solidão e a incapacidade de aceitar o fim de uma relação.
Ao lado de Mestrinho, Luiz apresenta “Olho por Olho”, encontro entre o forró tradicional, o sertanejo e uma produção contemporânea. A música aborda relações que deixam de ser construídas em conjunto e passam a funcionar como disputas de poder. Em “Acima dos Fatos”, com a participação de Raphaela Santos a track parte de uma narrativa sobre sentimentos que insistem em permanecer, mesmo diante das tentativas de negá-los.
Na sequência, “O Teu Fantasma”, parceria com MC Tocha, transforma a saudade em uma metáfora visual ao retratar alguém incapaz de seguir em frente porque continua assombrado pelas lembranças de quem partiu. Já “A Culpa É Sua”, com MC Braz, utiliza o brega recifense para falar sobre o encantamento da paixão e reforça uma das principais propostas do álbum: colocar a música nordestina no centro da conversa.
Em “O Pior Cego”, Luiz aproxima referências da música mexicana e do sertanejo de raiz para narrar a lenta percepção de um amor perdido. Depois, “Vida Dupla” retrata o instante em que alguém percebe que viveu uma relação baseada em concessões unilaterais e finalmente rompe esse ciclo.
A participação de João Gomes em “Vá Embora” acentua ainda mais essa conversa entre tradição e novidade. Além de fortalecer esse encontro de referências, ela aproxima a música das estruturas mais populares do sertanejo contemporâneo, sem perder a identidade do disco. “É, sem dúvida, uma das minhas faixas preferidas e uma das que melhor representam a essência deste disco”, compartilha Luiz Lins.
O disco termina com “Ainda Te Amo Muito”, que funciona como o eixo emocional do álbum. A faixa reúne arrependimento, vulnerabilidade, reconciliação e perdão, oferecendo ao personagem a possibilidade de finalmente encontrar paz.
“Foi essa música que deu sentido ao disco inteiro. Ela organiza todas as outras histórias e mostra que o personagem sofre muito mais pelas próprias escolhas do que pelas atitudes dos outros”, conclui Luiz Lins.
Sem reinventar fórmulas, o projeto oferece uma perspectiva literária e musical renovada sobre emoções e sonoridades que já fazem parte do imaginário coletivo, aproximando passado e presente em uma obra que soa, ao mesmo tempo, inédita e familiar.
