No show “Maria Bethânia – 60 anos de carreira”, comemorativo das seis décadas de carreira da cantora, uma música inédita de Xande de Pilares e Paulo César Feital se destacou no repertório. Composto especialmente para Bethânia, “Vera Cruz”, samba de letra forte e emocionante, celebra a cultura afro-brasileira de um Brasil soberano, pátria dos Exus, em versos como: “Chefe de outra pátria não me induz / Quem vai me guiar/ Guarde seu preconceito/ Sou livre pra sambar/ Carrego nos meus ombros/ os quilombos de além-mar”. A letra também faz referências a Clementina de Jesus, Chico Xavier e Zé Pelintra.

Pintura: “A Descida do Corcovado ou Ogum” (1972), de Flávio Império
“Vera Cruz” ganhou uma versão de estúdio, gravada na Biscoito Fino (RJ). Como nas apresentações ao vivo, Bethânia termina a gravação com uma citação de “Carcará” (João do Vale e José Cândido), música que a projetou nacionalmente no espetáculo “Opinião” (1964 / 1965).
A direção musical é de Pedro Guedes, também responsável pelos arranjos, ao lado dos músicos Jorge Helder (baixo e bandolim) e Thiago Gomes (arranjo, teclados e guitarra). A gravação conta com a participação do trio de vocalistas formado por Fael Magalhães, Janeh Magalhães e Jenni Rocha.
