O baterista e compositor paulistano Matheus Marinho lança no dia 27 de março seu segundo álbum autoral, “En vivo Jazz a la Calle”, gravado ao vivo no tradicional festival Jazz a la Calle, em Mercedes, Urugua. O trabalho chega às plataformas digitais pelo selo Tratore.
Gravado na Praça Manzana 20, o disco registra a energia e a conexão do trio formado por Matheus Marinho (bateria), Níchollas Maia (piano) e Gustavo Fonseca (baixo), explorando a fusão entre jazz e ritmos brasileiros — marca forte do grupo. No repertório, aparecem faixas como “Saudade”, homenagem ao pai do músico; “Samba pro Celso”, dedicada ao baterista Celso de Almeida; “Balanço ZL”, que remete diretamente à Zona Leste de São Paulo, onde o artista nasceu.
“Gravar esse álbum ao vivo no Uruguai foi registrar a energia bruta do trio em um ambiente de troca cultural intensa. O Jazz a la Calle tem uma mística própria, e o público sentiu a pulsação da nossa música”, resume Matheus.
A história do baterista, hoje com 28 anos, começa cedo, aos 4 anos, dentro da igreja — ambiente que, por sinal, também conecta os três integrantes do trio. Criado na periferia de São Paulo, ele desenvolveu sua relação com a música de forma coletiva, no corre do dia a dia e no acesso compartilhado aos instrumentos.
“Eu não alcançava a parte dos pés, então tinha dois meninos da igreja que ficavam agachados: um tocava o bumbo e o outro segurava o chimbal pra mim. Essa imagem nunca saiu da minha cabeça”, relembra.
A participação no Jazz a la Calle marca também um passo importante fora do país. Depois de três tentativas, o trio foi selecionado, se apresentou e ainda ministrou a oficina “Samba eu toco assim”, compartilhando sua visão sobre a música brasileira com músicos de várias partes do mundo. “Foi um festival muito democrático. Você se inscreve e pode ser escolhido, independente de nome ou mercado. Isso muda vidas — como a música mudou a minha.”
Esse olhar também aparece no trabalho social que desenvolveu com o coletivo Favela Instrumental, oferecendo oficinas gratuitas no bairro de Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo, e organizando festivais na periferia.
“Acho importante dizer: o jazz é periférico, a música instrumental é periférica. Os músicos vêm desses lugares, mas isso foi sendo elitizado. A gente quer mostrar que essa música também nasce na quebrada.”
