Melodia e Barulho são opostos que sempre estiveram presentes na maneira em que Maui pensa sua arte. Melodia&Barulho é também o nome do aguardado primeiro disco de estúdio do MC, cantor e compositor de Duque de Caxias, que acaba de ser lançado pela gravadora Deck.
Em Melodia&Barulho, Maui afirma o desejo de não ser mais contraponto, e sim ponto de encontro. Com 16 faixas e participações de Afrodite BXD, Tshawtty, Yoún, Maskotte, KBRUM, Bruno Kroz, Scof Savage e 2ZDinizz, o álbum se afirma como um manifesto estético e existencial. Suas canções transitam entre R&B, funk, pagode, afrobeat, drill, grime e reggae, que transforma contradição em arte e experiência periférica em linguagem universal.
Maui, que ganhou destaque nos últimos anos colocando sua voz característica do R&B para jogo em diferentes estilos musicais, apresenta em Melodia&Barulho uma lírica que transforma a contradição em estética e a vivência periférica em manifesto. “Quando chegamos nesse nome, comecei a identificar que ele não só representava minha arte, mas minha vida como um todo”, conta.
Essa lógica de contradição, que transforma ruído em harmonia e vice-versa, atravessa tanto a sonoridade do disco quanto a experiência periférica que o inspira. A primeira faixa traz um poema de Solano Trindade, intitulado “Tem Gente Com Fome”, narrado por Sílvia de Mendonça — jornalista, atriz e produtora cultural, referência nas causas dos direitos humanos, culturais urbanos e da população negra, principalmente em Duque de Caxias.
Melodia&Barulho reflete a trajetória e dualidade de Maui e de sua geração. “Tudo que aconteceu de bom na minha vida sempre teve um aspecto ruim muito forte, e tudo que aconteceu de ruim também trouxe algo bom de forma proporcional. Acho que está tudo dentro do mesmo bolo e da mesma química”, diz o artista.
Durante dois anos, Maui reuniu referências visuais e sonoras até chegar à estrutura final. Dando continuidade ao trabalho que começou a construir no EP Rubi, que já trazia a ideia de lapidação, o artista desenhou um álbum dividido em dois caminhos: sonoro e narrativo.
“Eu quis contar essa história em primeira pessoa, sem me colocar como alguém que já sabe de tudo. Quis mostrar minhas contradições, minhas dificuldades e também as conclusões a que chego a partir delas”, explica Maui.
No campo visual, o álbum também reflete esse caráter coletivo. A capa faz referência ao artista plástico ArteDeft e contou com direção de arte da Veneno Tropical, fotografia de Wander Scheeffër, direção visual de Jomboh, co-direção de Diola e styling de Mafê. Na foto, Maui está sentado em uma mesa com pessoas que marcaram sua carreira e são base para formar o artista que é hoje.
