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Ney Matogrosso reafirma no Allianz Parque que é um estado permanente da arte brasileira e um de seus maiores intérpretes

Ney Matogrosso reafirma no Allianz Parque que é um estado permanente da arte brasileira e um de seus maiores intérpretes

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Há shows que são entretenimento. Há espetáculos que são afirmações culturais. E há raros momentos em que um artista, sozinho se torna um ecossistema inteiro. Foi isso que Ney Matogrosso, aos 84 anos, apresentou no Allianz Parque neste domingo (21). Sob o título “Bloco na Rua”, o que vimos foi uma demonstração de força vital, um trunfo irrespondível contra a tirania do tempo e a banalidade do presente.

Ney Matogrosso ofereceu um passado em movimento. O setlist foi uma curadoria ousada que tratou a MPB não como um museu, mas como um organismo vivo. Ele colocou o pé no acelerador da música brasileira com pouca interação e um clássico atrás do outro. Não teve tempo para aquecimento. O primeiro grande coral veio logo na primeira música, “Eu quero é botar meu bloco na rua” (Sérgio Sampaio). Em seguida “Jardins da Babilônia” (Rita Lee) e “O beco” (Paralamas do Sucesso) fizeram as vezes do rock brasileiro, que seria o norte da noite.

A grande lição estava nos arranjos. “Sangue Latino”, por exemplo, não foi uma reprodução em formol do hit dos Secos & Molhados. Ganhou carne nova, um acelerado vigor roqueiro que provou que um clássico só permanece clássico se estiver disposto a se transformar. Essa foi a chave da noite: nenhuma canção foi tratada como relicário. De “Pavão Mysteriozo” à “Balada do Louco”, cada uma foi einterpretada por um artista que ainda as habita, não que apenas as visita.

Aos 84 anos, Ney tem um pulmão de ouro. Não ofega, não hesita, sua voz permanece intacta e seu rebolado sempre em dia. O artista, já eternizado como um dos maiores intérpretes da história da música brasileira, parece nutrir um profundo amor por cada canção que decide entoar. Sua voz não mostrou concessões.

Entre o público, octogenários visivelmente felizes e emocionados, millennials ou geração Z, todos hipnotizados por um artista que insiste em ser uma máquina do tempo da MPB.

Obviamente , o público esperava um momento Secos & Molhados e o artista não negou a dádiva aos milhares de vozes na arena. “Sangue Latino” ganhou arranjo acelerado e roqueiro e “O Vira” fez todo mundo dançar. Coros emocionados foram ouvido durante a linda interpretação de “Balada do louco” (Os Mutantes) e “Como dois e dois” (Caetano Veloso) .

Ney optou por fugir do roteiro de fingir terminar o show e voltar após pedido da platéia. Foi direto, sem parar, sem respirar, como se a arte fosse seun oxigênio

“Pro dia nascer feliz” (Barão Vermelho) fechou de forma apoteótica a noite em São Paulo com um público ciente de que viu um dos últimos grandes intérpretes da música brasileira em plena forma.

Ney Matogrosso não deu um show, ele encarnou a história viva da música popular brasileira com a urgência do presente. Em uma era de performances pasteurizadas e conexões digitais, ele ofereceu a verdade crua e rara da presença física absoluta. Ney não se apresenta como um ícone do passado, mas como um artista fundamental do agora. E, para quem teve o privilégio de estar lá, viu a prova de que alguns artistas não envelhecem.

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Última atualização em: 23 de dezembro de 2025 às 14:51

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