Quem frequenta as unidades do Sesc São Paulo conhece seus espaços de cor: comedorias, teatros, ginásios, áreas de convivência, piscinas, espaços expositivos, bibliotecas, cafés, entre outros. Uma experiência que esses espaços compartilham é a profusão de pessoas circulando e usufruindo desses locais com as mais diversas finalidades.
Já algo comum a todas as pessoas que frequentam esses locais é nunca os terem vistos de uma mesma maneira: vazios de público. A série audiovisual Efêmeros, lançada pelo Selo Sesc, propõe essa experiência atrelada a performances musicais de artistas brasileiros.
O primeiro episódio traz o compositor e instrumentista Amaro Freitas tocando no Sesc Pompeia. A estreia da série acontece em 18/9 na plataforma Sesc Digital e no canal do YouTube do Selo Sesc.
No episódio do dia 9/10 é a vez da cantora e compositora Ana Frango Elétrico apresentar seu som no Sesc Santana. Já a cantora e compositora Vanessa Moreno circula sua voz e violão pelo Sesc Interlagos no episódio lançado no dia 30/10.
ARTISTAS, ESPAÇOS E REPERTÓRIOS
No Sesc Pompeia o espaço escolhido para a performance de Amaro Freitas foi a área de convivência. Cortado por um espelho d’água bastante singular, lembrando o curso de um rio, o galpão que frequentemente abriga as exposições dessa unidade recebe o piano preparado de Amaro, junto dos demais elementos que ele utiliza em suas composições, como cascas e sementes, além de outros instrumentos como mbira, flauta e a própria voz do artista. Iluminado por leds verticais, criou-se uma atmosfera minimalista que se contrapõe harmonicamente ao repertório do artista, que integra elementos musicais bastante diversos. O artista performa as faixas Uiara, Viva Naná, Dança dos Martelos, Sonho Ancestral e Y’Y, sendo esta última homônima ao premiado álbum que comporta todo o repertório executado no episódio.
“Quando eu estou num ambiente como esse, muito grande, muito solitário, é como se eu estivesse no encontro comigo mesmo. E naquele momento sou eu, o piano e eu novamente. E aquela música que em outros ambientes eu toco para tocar as pessoas que vieram assistir ao meu show, naquele momento, ela volta para mim. Então eu estou sendo um espelho de mim mesmo assim. Só que é como se fosse uma outra versão minha, escoando através dos meus dedos e refletindo sobre mim mesmo. Isso é uma sensação muito louca e bonita”, reflete Amaro Freitas.

Cantar flutuando em uma piscina é certamente uma experiência inédita para muitos artistas. Ana Frango Elétrico pôde relaxar nesse espaço do Sesc Santana enquanto cantava uma de suas canções, assim como tocar no centro do ginásio da unidade rodeada por sua banda. No repertório estão as canções Electric Fish, Camelo Azul, Insista em Mim, Dela e Nuvem Vermelha. As canções compõem o último álbum da artista, Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua, lançado em 2023 e que agora está em turnê de despedida.
Já o lago e a área de convivência do Sesc Interlagos são tomados pela voz de Vanessa Moreno. Em um banco, em movimento ou brincando com um farfalhar de uma folha plástica a cantora e compositora mergulha na proposta de maneira bastante corporal. Vanessa interpreta as canções A Luz de Tieta e Esotérico, de Caetano e Gil, respectivamente, além de De Frente pro Mar, Nós e Solar, de sua autoria com coautoria de Sophia Ardessore e Luã, respectivamente.
“Eu nunca tinha cantado uma música minha estando em movimento. Quando a gente canta as mesmas músicas em situações inesperadas, somos capazes de revisitar o sentido daquelas canções. Quando muda o lugar, a gente também muda e pode olhar a canção sob outra ótica. Eu gosto do movimento, gosto dos desafios e isso foi muito precioso”, declara Vanessa Moreno.
