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O sonho é memória vívida no novo álbum do duo baiano cajupitanga, “Sonhei Que Estava em Takamatsu”

O sonho é memória vívida no novo álbum do duo baiano cajupitanga, “Sonhei Que Estava em Takamatsu”

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Sonhar embaralha qualquer dimensão de espaço e tempo. Através do sonho é possível viver em cidades infinitas, conhecer amigos de longa data, ouvir música sem notas definidas, ver a morte brotar em flores, juntar tudo “o que foi” com “o que será” em um presente eterno. “Sonhei Que Estava em Takamatsu” começa em janeiro de 2025 com um sonho de Gabriel Tupy, integrante da cajupitanga.

– “Tive um sonho, em uma terça ou quarta-feira, no qual andávamos de bicicleta pela Av. Olívia Flores e passávamos por todas as cidades que já estive. Passamos por serras, vilarejos, praias, pessoas de longe, roças, até ver o Monte Fuji, lá longe, o Japão no destino final. Mas ao descer da bicicleta, ainda estávamos em Vitória da Conquista, na mesma Olívia Flores que nos encontramos para andar de bicicleta nos fins de tarde. Não havia divisão física, temporal e lógica, éramos felizes em ser presentes no simples ato de ver, sentir e pedalar. O sonho se tornou memória, saudade e um desejo: o de trazer a sensação vívida de suas suspensões lógicas e estímulos sobrepostos em experiência sonora. Um disco. Foi preciso fazer o Japão e a imagem de uma média cidade como Takamatsu se tornar a nossa Conquista. Foi preciso criar em som um teatro de sombras, jogando luz à memória da nossa terra, de familiares e amigos, para criar a sombra de um Japão próprio, um sonho refletido ao longe, que não há fronteiras de tempo e espaço”. – Gabriel Tupy

O disco breve, composto por 10 faixas, apresenta uma cajupitanga em banda, sem abandonar a produção caseira e sua proposta lo-fi, em uma formação instrumental tradicional do qual os integrantes do duo fizeram parte em bandas de rock durante a adolescência. Como se o tempo não tivesse separado amigos, como se as vidas antigas permanecessem, culminando em um presente suspenso de lógica. O duo, desse modo, se fragmenta em papéis num teatro simples: fingem a presença até senti-la. Assim, uma banda existe, mesmo que nas baterias programadas digitalmente, nas falsas jams, na distância entre seus tempos, seus espaços, na falta de alguém dividindo o momento que não pela própria lembrança, retomada por recordações em áudio.

Misturando gêneros como o rock alternativo, o violão brasileiro, jazz latino e bolero, a experimentação, que é marca na trajetória da cajupitanga, também aparece na adição de sons ambientes, áudios de campo, memórias com amigos e familiares, ruídos e risadas. Como costura de histórias perdidas, cada elemento e faixa delineiam vislumbres das imagens que permeiam o trabalho. As letras, por sua vez, priorizam a diversão e as memórias do eu lírico, sacrificando o compromisso da palavra poética (santíssima e seríssima palavra poética) para criar uma poesia da práxis do sonho. O resultado é um delírio que pouco aponta para o que já foi e será feito na discografia do duo, abraçando o presente, firmando um compromisso com a despreocupação de só ser e estar. É viver um sonho e deixar passar. E se for revisitar, que seja para se divertir, sempre.

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Última atualização em: 12 de novembro de 2025 às 13:48

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