Oh Polêmico uniu forças com Léo Santana em “Laço na Fivela” , single disponível nas plataformas. A faixa apostou na fusão entre pagodão baiano e forró, criando uma sonoridade que transita do paredão ao festejo junino.
Produzida por FG Batera e Iago Drums , o som de Ph Polêmico opera uma transgressão estética com sensualidade e identidade baiana. Para ele, a parceria representa a realização de um sonho. “Cresci na periferia ouvindo Léo Santana no paredão e hoje ocupo esse espaço de criação com ele. ‘Laço na Fivela’ é a Bahia desvelada. Não é só uma mistura; é a gente mostrando que o pagodão e o forró podem celebrar juntos. Uma honra ter um feat com GG. Essa faixa vem para quem veio de baixo e nunca desistiu”, comenta o artista.
Com a chegada do período junino, Oh Polêmico preparou um lançamento voltado para uma das festas mais aguardadas do Nordeste. Além de “Laço na Fivela”, o cantor lançará um bloquinho voltado ao ritmo junino. As novidades chegam como uma declaração artística sobre identidade e pertencimento, mesclando a pegada das periferias de Salvador com a tradição do forró nordestino.
“São João não é só uma data no calendário. É uma data em que a gente celebra toda uma cultura, um estilo de vida… Quero trazer isso nesse trabalho. O universo inteiro dessa festa é muito brasileiro, muito nosso, isso é muito massa”, conta Oh Polêmico.
Oh Polêmico cresceu ouvindo Léo Santana e sempre o teve como referência no pagodão. “É o cara que leva o nosso valor lá para o topo, representa demais”, afirma. A parceria começou a se desenhar quando Léo o chamou para o Baile da Santinha com a música “Boneco”. Desde então, a relação se estreitou, e hoje os dois dividem até partidas de futebol semanais. “Deus vai fazer esse momento. Acho que a gente fica ansioso para poder fazer as coisas acontecerem, mas não é no nosso tempo, é no tempo de Deus. Então eu tive paciência, tive sabedoria e, graças a Deus, chegou o momento”, celebra Oh Polêmico.
“A música que tenho idealizado combina elementos que agradam tanto ao público do paredão quanto ao das festas juninas. “É uma música que se comunica muito com a rua, com paredão. Além de tocar, essa música também vai tocar no domingão, no churrasco. Galera que curte esse pagodão, mas um pagodão mais limpo… É uma música que vai se comunicar com geral”, explica o artista. A faixa também conta com trechos pensados para viralizar no TikTok, plataforma que tem impulsionado carreiras na música contemporânea.
Para junho, Oh Polêmico planeja lançar um bloquinho com quatro ou cinco músicas voltadas para o São João, agora com sonoridade direcionada ao paredão. Para o próximo ano, caso o projeto caminhe bem, o cantor cogita lançar um EP completo intitulado “Forró do Polo”, com cerca de cinco a seis faixas.
Confira mais do papo com Oh Polêmico
Você falou que cresceu ouvindo Léo. E agora você está gravando uma música com um cara consolidado há anos dentro do pagodão baiano. Como se deu essa ponte entre vocês?
Oh Polêmico: Bom, eu tenho ele como minha referência aqui no pagodão. É o cara que leva o nosso valor lá para o topo, representa demais. Ele foi um dos caras ali quando lançou “Boneco”. A música me chamou para o Baile da Santinha. Fiz o baile com ele, cantei já em trio também com ele. Então é o cara que me representa demais, que eu sou super fã, acompanho tudo. Hoje tô tendo oportunidade de até jogar uma bola com ele toda semana, um futebol. E Deus vai fazer esse momento acontecer. Eu tive paciência, tive sabedoria e, graças a Deus, chegou o momento. Preparei esse hit junto com os amigos aqui, mandei para o Léo e ele se empolgou bastante porque é algo que se comunica muito com a rua, com paredão. Além de tocar, essa música também vai tocar no domingo, no churrasco. É uma música que vai se comunicar com geral. Tem umas partezinhas de TikTok que a gente colocou. E foi dessa forma que a gente descobriu. Ele já colocou voz, a música já tá pronta. E essa encontrada do pagodão com o forró é algo que eu já venho trabalhando todo ano.
Você traz essa faixa com elementos de forró. Como era a sua vivência com o forró quando você era ainda um pivete? Quando você pensou que dava para fazer essa mistura?
Oh Polêmico: Eu sempre curti o São João. Ficava ansioso para chegar essa época para poder fazer uma viagem com meus avós, com minha mãe. Sempre gostei daquele clima de ficar no interior, na porta de casa, fazer uma fogueira. Aí tive uma oportunidade na música. Tava ouvindo uma música e pensei: “Pô, acho que se criar algo especial com duas forças fortíssimas aqui no Nordeste, eu acho que vai dar bom.” Preparei o primeiro “Forró do Pó”. A galera escutou bastante. Montei um projeto “Forró do Polly” e comecei a lançar. Começou domingo, 24, pegando uma força incrível. E aí, em 2025, o público começou a me cobrar: “Cadê o Forró do Polly 2.0? Não vai lançar não?” E eu não tava preparado. Aí eu peguei e falei: “Não, vou dar uma parada aqui. Vou sentar com os compositores e vou escrever um novo ‘Forró do Polo’.” E a gente escreveu. Só que a gente fez um lançamento muito em cima da hora, então uma música não fez o barulho que eu esperava. Gravamos um clipe muito foda, a música chegou. Acho que tá com um milhão e duzentos já, não era o que eu esperava.
E crescendo….
Oh Polêmico: Ainda mais. Mas a gente lançou muito em cima. Essa música com Léo a gente já começou a trabalhar no final de abril para maio. É uma música que já tá pronta, já tá com alguns conteúdos gravados. É uma música que vai dar tempo de pegar uma força legal. Eu tenho certeza que a galera vai se identificar. Tem todos os elementos ali falando e se comunicando com forró, o nosso pagodão raiz e algumas coisas de TikTok, que hoje a galera pede muito. O TikTok é uma plataforma que também vem nos ajudar bastante.

Você vai lançar um EP? Essa sonoridade já está sendo apontada através dessa faixa ou você pretende ampliar mais essa ligação do pagodão com forró?
Oh Polêmico: Assim, eu pensei em vir nessa mesma linhagem da música com o Léo. Só que meu público – eu tenho muito público do paredão, que curte baile de favela – e a galera tá me cobrando porque há muito tempo eu não lanço um bloquinho. Eu fiz um vídeo com um artista amigo meu, mas algo solo mesmo eu não lanço há tempo. Então eu não vou fazer um EP agora, eu vou gravar um bloquinho com algumas músicas falando do São João, só que para paredão, com sonoridade diferente da música que eu vou mostrar com o Léo. E aí, para o ano que vem, se as coisas caminharem do jeito certo, eu penso em lançar um EP mesmo, um EP “Forró do Polo”, com umas cinco, seis faixas. Esse ano eu vou dar esse foco agora na música com Léo. E quando entrar em junho, na primeira semana, eu penso em lançar um bloquinho com quatro ou cinco músicas dentro desse bloco, falando também sobre o São João, agora para paredão.
Aqui em São Paulo, por muito tempo não se separava axé de pagodão: tudo que vinha da Bahia era axé. Como você explicaria para alguém que vai conhecer seu som agora a diferença entre axé e pagodão baiano?
Oh Polêmico: O pagodão baiano usa os elementos do axé, que é a percussão. Toda a percussão das músicas do axé leva mais a percussão. Então existe uma grande diferença. O nosso pagodão já vem com um solo de teclado bem na cara, uma guitarra alta, um baixo também alto. A diferença também da letra, o swing que pega ali. A galera consegue ver essa grande diferença através disso. É desse jeito que eu explico: a letra, o solo de teclado, o baixo, um cavaquinho que a gente coloca também, o violão. E a percussão usando mais instrumentos como o acabar, a conga, o surdo.
Aqui em São Paulo, a gente tem um problema com os paredões: falta de espaços para a juventude, conflito com vizinhança, violência policial. Na Bahia, como funciona essa dinâmica?
Oh Polêmico: Já curti muito baile de favela, curti muito paredão. Algumas vezes, realmente a polícia chega e acaba o paredão por causa da comunidade, das pessoas que vão acordar cedo para trabalhar. Mas os bares aqui em Salvador continuam sendo muito grandes, toca bastante. Tem alguns lugares que são permitidos, que não têm casas próximas, têm alvará, tudo direitinho. Aí ficam uns quatro, cinco paredões dentro e a galera vai. É o Baile do RH, muito conhecido aqui em Salvador. Eu acho que essa galera que fica querendo proibir esse tipo de som deveria fazer uma escolha: criar espaços. “Não pode tocar na rua aqui, mas a gente vai criar uns quatro espaços dentro de Salvador para todo final de semana vocês que curtem paredão poderem escutar.” Acho que deveria ser dessa forma. Criar projetos, como tem a cena do grau. A galera do grau briga muito por um espaço para fazer suas manobras. De vez em quando rola no estacionamento do estádio do Barradão. Eu acho que deveriam criar esses espaços. Claro que a gente não vai conseguir controlar todos os bairros, mas dá para sentar, conversar, criar projetos e dar oportunidade.
Quando você escreve uma música, você já pensa em um feat? Como foi o processo de “Laço na Fivela”?
Oh Polêmico: Eu comecei essa fase de feats agora. Antigamente eu escrevia uma música de pagode, gostava de curtir sozinho, como foi “O Boneco” e “O Rufo”. Mas depois eu comecei a me despertar para isso, porque chega um momento em que o artista tem que começar a fazer trabalhos em conjunto, se juntar com outros artistas de outros gêneros. Tive oportunidade de gravar com MC Mary, da GR6, de São Paulo. Foi a primeira oportunidade que tive de gravar algo diferente. Eu escrevi a música com Léo pensando: “Essa música aqui vai dar certo. Vou chegar no Léo.” E também foi no Vale do Podre, que é um audiovisual que tem uma parceria muito forte, além de ter meus amigos: Pocah, GW do Rio, Rodrigo do CN, Bruno Magnata, Ítalo. É dessa forma que eu penso: escrevo já pensando no artista que acho que combina.
Para encerrar: quais são suas ambições para o futuro, artistas que você quer trabalhar, e uma mensagem para quem vai te conhecer através dessa música?
Oh Polêmico: Meu grande sonho é continuar rodando esse mundo. Eu gosto muito de trabalhar, sou um artista que estou sempre dentro da empresa buscando novos trabalhos, criando novas ideias. Eu penso em gravar nosso projeto e tocar fora, fazer meus shows fora. Penso em gravar com a Ludmilla, com a Anitta, com vários outros artistas que eu tenho em mente. Eu sei que esse momento vai chegar, é no tempo certo. Tá vindo agora. Tô realizando esse sonho de poder gravar com o Léo, que é meu ídolo, minha referência. Agora é focar nessa música. Para a galera que vai me conhecer agora: continuem ouvindo a vibe do Polly, que tá muito bom, e aguardem novos trabalhos que vêm pela frente. Daqui para o final do ano tem muita coisa boa para acontecer. Obrigado, meu irmão. Deus abençoe.
