O Planet Hemp se consolidou como uma das principais vozes da contracultura brasileira e serviu de influência tanto na música quanto no discurso político e social no país ao longo das suas três décadas de atuação. Donos de um legado que atravessa gerações, os músicos desafiam normas e levantam lutas que ainda estão longe de terminar. E essa característica faz com que o som da banda ecoe nas novas gerações de artistas como o BaianaSystem, que mistura guitarras baianas, dub e crítica social em sua sonoridade e performances. Essa conexão entre os grupos não é de hoje e se torna ainda mais forte com o convite ao grupo soteropolitano para abrir a apresentação do Planet na noite em que a banda encerra a sua turnê de despedida, A Última Ponta, em São Paulo, no Allianz Parque, em 15 de novembro. A tour é uma realização da 30e, e ainda há ingressos disponíveis para o show da capital paulista pelo site da Eventim (acesse aqui).
Há uma sinergia entre as bandas que não é circunstancial. Desde os primeiros discos, o BaianaSystem carrega em seu DNA a rebeldia e o senso de urgência do Planet. Russo Passapusso, vocalista do Baiana, já declarou que o grupo carioca foi uma das principais inspirações quando começaram a entender que fazer música também era uma forma de enfrentamento. “O Planet sempre foi um referencial. […] Se eu falar sobre o que nos une, vou remontar 10, 12, quase 15 anos atrás, ou mais, quando encontrei BNegão, Roberto Barreto… O BNegão sempre foi um diplomata da música brasileira, um cara que viajava muito e pegava pedaços de cada lugar e ia montando esse quebra-cabeça, mostrando que o Brasil é uma ponte só, uma história só”, afirmou em entrevista à Rolling Stone Brasil em 2024.

Ao longo dos anos, as pontes entre os grupos foram se cruzando em participações, encontros e colaborações que fortalecem esse elo simbólico. BNegão, por exemplo, participa desde o primeiro álbum do grupo e é presença constante no Navio Pirata, trio elétrico comandado pelo BaianaSystem há 11 anos no Carnaval. As duas bandas também dividiram o palco no Festival de Verão em 2024, numa performance que reverberou como um manifesto coletivo. Para o registro audiovisual do Planet Hemp, BASEADO EM FATOS REAIS: 30 ANOS DE FUMAÇA (AO VIVO), gravado em São Paulo, o grupo soteropolitano também fez uma participação especial. Essa história em comum ganha novo capítulo com um gesto que vai além da curadoria: é uma espécie de rito de passagem, uma tocha sendo entregue, de um grito que ecoa desde os anos 90 a outro que pulsa vivo nas ruas de hoje.
O BaianaSystem foi formado em Salvador, Bahia, em 2009, e lançou álbum de estreia homônimo em 2010, ganhando projeção nacional com o disco Duas Cidades (2016), vencedor do Prêmio Multishow de Melhor Disco do Ano. Com passagens por festivais como Lollapalooza (São Paulo, 2024), Rock in Rio (Rio de Janeiro, 2024) e WOMEX (Dinamarca, 2011), o grupo consolidou-se como um dos nomes mais relevantes da música brasileira contemporânea.
