Na véspera de um dos aniversários do seu filho Dom, o rapper Abel pegou um papel e lápis para desabafar. Estava angustiado porque fazia um ano que decidiu morar fora do Brasil com a família e, por causa de algumas reviravoltas, pensava se de fato aquela teria sido a melhor escolha. Ansioso e sem conseguir dormir, entendeu que as palavras que escreveu poderiam ser uma composição. Foi aí que nasceu “Ninho”, que ganhou uma versão em vídeo produzida pela Racamandaca Films, dirigida pelo colombiano Rafael Quiroga.
“Não era pra ser um rap, eu gosto de compor no computador, tela em branco, posso digitar, apagar, escolher palavras que tenham o mesmo tamanho, vai e volta”, diz. “Não sinto essa liberdade no papel, e nessa hora só tinha uma folha e um lápis. Queria escrever uma carta, votos, e fui escrevendo sem planos de que seria uma música”.
Isso aconteceu depois de um bom tempo que Abel estava sem escrever e produzir. Na sequência foi para o computador e gravei uma guia só com bateria. “Minha mina ouviu e gostou pra caramba”, revela. “Aí, decidi mandar a acapella pro Dj Maxnosbeatz produzir alguma coisa”. A produção logo veio e agradou o MC, que gravou a voz em 2023 quando estava na Itália. O espaço de tempo entre produzir e colocar no mundo, demorou porque ele aguardava o momento certo.
“As crianças mudaram bastante minha vida, minha rotina, sonhos. Então um som pra eles iria sair uma hora. E eu queria lançar também perto do dia dos pais, pq nessa época eu penso que as pessoas param pra pensar um pouquinho mais a respeito da data, estão mais abertas pra falar ou pensar a respeito. Fora dessa data a gente só tem os números desastrosos de abandono paternal”.
