O músico britânico Roger Waters, ex-baixista e vocalista do Pink Floyd, lançou no último sábado (29) a faixa inédita “Sumud”, uma canção de protesto que cita nominalmente a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 no Rio de Janeiro. A música a associa a figuras como Anne Frank, a ativista norte-americana Rachel Corrie e a jornalista palestina Shireen Abu Akleh, mortas em contextos de violência política e conflito.
O termo “sumud” vem do árabe e significa “perseverança firme” ou “resistência”. Na letra, Waters descreve Marielle como “brutalmente assassinada”, mas cujo “espírito permanece”, costurando sua luta contra a violência estatal no Rio a denúncias sobre o conflito em Gaza e a influência de bilionários em guerras e desigualdades globais.
A relação de Waters com a causa de Marielle vem de antes. Em 2018, durante show no Brasil na semana do segundo turno das eleições, ele levou ao palco Mônica Benício (viúva da vereadora) e Anielle Franco (sua irmã), ajudando a projetar a história da parlamentar como um símbolo internacional de direitos humanos e feminismo negro.
O lançamento mantém viva a memória de Marielle, mas também reacende a polêmica em torno de Waters. Enquanto parte do público celebra a homenagem, setores bolsonaristas e grupos pró-Israel voltam a acusar o músico de antissemitismo e de “instrumentalizar” o Holocausto em suas críticas ao Estado de Israel – acusações que ele sempre negou.
Divulgada como “trabalho em progresso” em suas redes sociais, “Sumud” reforça o ativismo político do artista, que já havia incluído imagens de Marielle em telões de turnês recentes e recebido a Medalha Pedro Ernesto da Câmara Municipal do Rio em 2023.
