Izzy Gordon não faz uma homenagem comum a Jorge Aragão. Em “Semente da Tamarineira”, lançado hoje nas plataformas digitais e apresentado ao vivo no dia 10 de abril no Sesc Pinheiros, em São Paulo, a cantora oferece uma releitura atual de um grande nome do samba. O projeto entrelaça repertório, herança cultural e identidade, indo além do tributo para se tornar uma verdadeira exploração artística.
Sua trajetória é marcada pelo jazz e pela fama de intérprete requintada e maleável. Agora, ela aplica essas qualidades a um exame aprofundado da música brasileira. A escolha de Aragão como primeiro alvo de uma trilogia sobre compositores do Cacique de Ramos evidencia uma linhagem crucial da cultura popular, que redesenhou o samba a partir dos anos 1970.
O disco nasce de uma ideia simbólica forte. A tamarineira do título remete à árvore histórica do Cacique de Ramos, ponto de encontro de artistas como Fundo de Quintal e o próprio Aragão. Mais que um local, ela vira metáfora: de suas raízes vêm as sementes que ainda nutrem novas gerações e mantêm o samba vivo e em evolução.
A sonoridade do álbum acompanha esse pensamento. Sob produção de Allan Abbadia, o trabalho mescla reverência à tradição com ousadia estética, usando arranjos que flertam com o jazz e outras expansões musicais sem perder a essência do gênero. Canções como “Malandro”, “Coisa de Pele” e “Eu e Você Sempre” ganham novas roupagens, mostrando como o repertório resiste ao tempo e se renova.
As participações especiais — Bia Ferreira, Ellen Oléria e Carica — acentuam o intercâmbio entre diferentes épocas e estilos.
