O segundo dia do The Town foi palco de uma masterclass sobre a longevidade e o poder de aglutinação do rock nacional. Em uma noite que foi uma verdadeira viagem no tempo, três gerações do gênero se uniram para provar que, longe de ser uma força do passado, ele continua vibrante e essencial na paisagem musical brasileira.
O dia começou com a dupla explosiva de Supla e Inocentes, que ofereceram muito mais que um mero aquecimento. Foi um show surpreendentemente divertido e sem pretensão, uma celebração do espírito punk e do rock’n’roll em sua forma mais pura. A mistura de clássicos do punk nacional com covers irreverentes – que iam de The Clash a Harry Styles – funcionou como um choque de alegria, desmontando qualquer purismo e estabelecendo o tom descontraído para a jornada que se seguiria. Foi caótico, foi imprevisível e, acima de tudo, foi extremamente divertido.
Em seguida, o Capital Inicial subiu ao palco com a solenidade de quem não precisa provar mais nada. A apresentação foi um exemplo de competência técnica e entrega profissional. Dinho Ouro Preto, um frontman com energia irrefreável, comandou o público com a maestria de quem faz isso há décadas. A banda não se arriscou em reinvenções, optando por um setlist impecável de hits que garantiu que milhares de gargantas cantassem em uníssono cada refrão. Foi um show seguro, poderoso e que cumpriu com excelência o seu papel: aquecer a plateia para o auge da noite.

E o auge veio com o CPM 22. A banda paulistana não apenas fez um show; ela aglutinou uma multidão impressionante, transportando duas gerações diferentes para o auge do rock anos 2000. O que poderia ser uma nostalgia trip transformou-se em uma prova de vitalidade. A energia contagiante, a conexão visceral com o público e o desfile ininterrupto de hits – de “Tarde de Outubro” a “Dias Atrás” – criaram um ambiente elétrico de catarse coletiva. Badauí, carismático no palco, funcionou como o elo perfeito entre a banda e seus fãs, old e new.
A escolha da produção do festival foi certeira. A sequência dos três atos contou uma história coesa: a irreverência punk, a consagração do rock stadium e a energia contagiante do pop punk. Juntos, eles não apenas apontaram o rock nacional como uma força ainda a ser considerada nos grandes festivais, mas o colocaram como um dos pilares principais do evento. O show do CPM 22, em especial, coroou a noite e garante à banda o título de uma das melhores e mais consistentes apresentações do The Town, um verdadeiro triunfo de emoção e potência sonora.
