Rapper, pedagogo e educador popular, Thiago Elniño se prepara para o lançamento de seu 4º álbum de estúdio, “Canjerê”, o primeiro pela gravadora Deck. “Doce!” abre os caminhos para “Canjerê”, álbum de 14 músicas pensado como um encontro de sonoridades provenientes dos espaços de fé do povo preto, onde rap, ritmos brasileiros e diálogos afro-diaspóricos se atravessam, que será lançado em abril.
Marcada pelos tambores e inspirada pelos ritmos do pagode baiano, cada vez mais presentes em sua trajetória, a faixa aborda a experiência de um amor que terminou, preservando beleza e respeito mesmo diante da dureza do dia a dia, e a crença de que a fé no sagrado e nos orixás podem ajudar a suportar a dor nesses momentos.

Seguindo o estilo que o mesmo define como “rap artesanal”, o disco, quase um manifesto em prol das religiões de matrizes africanas, chega em um momento onde terreiros são invadidos e fechados em um ataque combinado entre extrema direita, igrejas neopentecostais e o tráfico.
Como educador, Thiago destaca que essa dimensão de sua personalidade também atravessa o trabalho. Citando a música “A Força da Sugestão”, do rapper Parteum, uma das grandes referências para suas letras, e diz que “sugerir as coisas” é sua principal motivação para fazer música. Para ele, a arte é um veículo para que informação e pensamento alcancem mais pessoas, ampliando consciências por meio da palavra.
Conhecido por letras que atravessam temas como luta, espiritualidade afro-brasileira, racismo e educação, Elniño também construiu, nos últimos anos, uma trajetória marcada por canções de doçura e magnetismo, como “Dengo” (2021) e “Pretinha de Salcity”.
