Há canções que nascem da terra e existem outras que descendem do céu – Xangô Alapalá é das que atravessam o fogo. Marcando o encontro entre Zeferina, artista da nova música preta brasileira, e Mateus Aleluia, um dos maiores griôs da cultura afro-brasileira, a faixa inédita chega acompanhada por videoclipe em 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, data símbolo da memória e da luta do povo preto brasileiro, pelo selo YB Music.
Na canção, Zeferina e Aleluia reverenciam Xangô, orixá do fogo e do trovão, símbolo da sabedoria, da verdade e da justiça. “Xangô Alapalá” é também uma canção sobre comunhão, entre tempos, corpos e mundos. É o encontro de Zeferina com Mateus, mensageiro de Xangô. É sobre cantar para curar, para continuar, para fazer da arte um território de justiça.
“Esta música é uma oferenda, um chamado para que o olho da justiça ancestral esteja sempre aberto. Xangô não é cego: ele vê, sente e corrige o mundo. É a força que atravessa gerações e continua a nos guiar hoje”, afirma Zeferina.
O caminho até essa gravação foi, ele próprio, um chamado ancestral. Zeferina conta que a música nasceu de um impulso espiritual, atravessada por perdas, sinais e encontros: o luto por um amigo querido, a presença sensível de pessoas que partiram, e a energia viva da ancestralidade orientando cada passo. “Era como se eu recebesse um presente. A energia me dizia: grava essa música”, relembra.
