A atriz Tulanih, 37 anos, rosto conhecido da dramaturgia da TV Globo, se prepara para estrear em um novo formato: a novela vertical “Amor sob Vigilância”. Com passagens por produções como Falas Negras, Falas de Orgulhos e as novelas Família É Tudo, Fuzuê, Volta por Cima e Vale Tudo, foi sua atuação como a personagem Janaína em Vai na Fé que gerou grande repercussão e rendeu o convite para este novo desafio.
Para Tulanih, a estreia no formato vertical carrega um sabor especial. “Tem um sabor diferente fazer uma novela vertical, já que é pensada para ser vista no celular. E a gente leva ele pra todo lugar, né?”, comenta a atriz, que se diz ansiosa para ver o alcance da produção e o feedback do público. Ela reconhece o desafio técnico do formato: “Tudo precisa estar alinhado de tal forma que, na hora do ação, a entrega seja com muita precisão.”

Natural de Duque de Caxias, Tulanih é uma das artistas que integram o polo cultural da Baixada Fluminense, região que a cada dia projeta mais talentos para as telas. Na visão da atriz, o mercado já começa a olhar com mais atenção para os artistas periféricos. “Sempre quiseram nos colocar à margem das grandes oportunidades, mas mesmo assim, não teve nenhum lugar nessa estrada da vida que percorri como atriz que não pude encontrar um caxiense ou alguém da Baixada trabalhando brilhantemente”, afirma. Ela ressalta, porém, que esses profissionais, incluindo ela própria, “foram os que furaram uma bolha difícil e cruel” e acredita que a região tem ainda muito mais a oferecer: “De onde viemos tem muito mais, cada vez mais preparados e sempre muito talentosos. Aguardem!”
A realidade de crescer em territórios frequentemente marcados pela violência ajudou a forjar a sensibilidade e a resiliência da atriz. “A gente aprende que precisa estar mais do que preparada tecnicamente e que, principalmente, vai precisar mais do que só talento”, explica Tulanih. Essa consciência a levou a desenvolver uma postura proativa: “Nosso treinamento é focado em aproveitar toda oportunidade que surgir e, se ela não aparecer, a gente vai atrás. Criaremos estratégias pra chegar onde a gente sabe que merece e pode.”
Os desafios do acesso
Como muitos artistas da Baixada, Tulanih enfrentou a dura realidade do transporte e da distância em relação ao centro do Rio de Janeiro. “Perdi as contas de quantas vezes dormi em casas de amigos no Centro, na Zona Sul, para estar mais perto do compromisso do dia seguinte, ou virava a noite em algum lugar movimentado pra voltar só de manhã pra casa, pois ou não tinha busão ou era ‘menos perigoso'”, relembra. Para ela, essa dificuldade não é acidental: “faz parte do projeto dificultar o acesso e a democratização do usufruto da cidade por toda sua população e não somente para uns.” Para driblar o obstáculo, a atriz tomou uma decisão difícil: “eu saí da Baixada. Mas minha família ainda vive lá. No início foi um pouco difícil, financeiramente falando mesmo. A vida fica mais cara, mas a gente segue, vivona e vivendo.”
Ao deixar um recado para os jovens de Caxias e de toda a Baixada Fluminense que sonham em viver da arte, Tulanih é direta e encorajadora: “Se viver da arte é o chamado do seu coração, então vá em busca disso!” Mas faz questão de alertar para a necessidade de planejamento e estudo: “Não seja ingênua. Estude! Esteja atenta ao mercado. Se prepare. Tenha planos B ao longo do caminho.” A atriz aconselha ainda a guardar dinheiro, planejar cada passo e manter a integridade: “Seja íntegra com sua verdade e nunca abaixe a cabeça. Olhar erguido, mirando o que se quer conquistar.” Sua mensagem final é de fé e confiança: “Acredite que o mundo e as coisas boas do mundo também são feitas para você. Você será aquilo que você está se preparando para se tornar. Honre os seus e confie no processo. Confie em você!”
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