A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) utilizou suas redes sociais na última terça-feira (23) para criticar a direção nacional do PSOL, acusando o partido de descumprir acordos internos e privilegiar pré-candidaturas de pessoas brancas e cisgênero na distribuição dos recursos do fundo eleitoral para as eleições de 2026 .
A parlamentar afirmou estar “chocada” e “decepcionada” com a proposta de distribuição apresentada pela executiva da legenda, que, segundo ela, desmontaria a política de inclusão da sigla e prejudicaria candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+ e PCDs .
Em sua manifestação, Hilton comparou os valores previstos para sua campanha com os destinados a outros pré-candidatos. Ela citou o presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, que concorrerá pela primeira vez a um cargo eletivo, e a ex-deputada Manuela D’Ávila, recém-filiada ao partido e pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, que teria previsão de receber mais que o dobro do valor destinado à deputada .
“Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, escreveu a parlamentar .
Resposta do partido e valores previstos
Após a reclamação pública, o PSOL divulgou que pretende destinar R$ 2,3 milhões do fundo eleitoral para a campanha de reeleição de Erika Hilton — valor R$ 100 mil superior aos R$ 2,2 milhões reservados para outros deputados federais da legenda que disputarão novos mandatos, e 61,5% maior do que ela recebeu em 2022 .
Em nota, o partido afirmou que “posiciona a campanha de Erika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do PSOL” e que “o incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSOL é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada” .
Segundo a direção da sigla, a pré-candidata Manuela D’Ávila deve receber cerca de R$ 5 milhões por se tratar de uma disputa majoritária ao Senado, enquanto Juliano Medeiros e Natália Boulos terão R$ 2 milhões cada para suas campanhas à Câmara dos Deputados .
Reações internas e crise partidária
A crítica de Hilton encontrou eco em outras lideranças negras do partido. A deputada estadual Renata Souza (RJ) afirmou que a decisão da direção nacional constitui “uma clara violação à lei” e aproxima o PSOL de partidos que “instrumentalizam a pauta de gênero e raça para fortalecer os homens brancos no poder” .
Nos bastidores, integrantes de alas opostas à parlamentar avaliam que a manifestação pública busca pressionar pelo aumento do valor destinado à sua campanha, fortalecer candidaturas aliadas e construir uma narrativa para uma eventual saída coletiva do partido após as eleições . O grupo de Hilton, a corrente Revolução Solidária, já havia manifestado insatisfação com a decisão da direção nacional de rejeitar a formação de uma federação com o PT .
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, aliado de Hilton, classificou as críticas da deputada como “muito justas” . A definição oficial dos repasses ocorrerá em 18 de julho, durante reunião da Executiva Nacional do PSOL .
