A Prefeitura de São Paulo comemora o Dia do Quadrinho Nacional nesta sexta-feira (30) indicando histórias em quadrinhos brasileiras que se passam em São Paulo e obras nacionais reconhecidas internacionalmente que valem a pena a leitura. Todos os títulos podem ser encontrados nas gibitecas Henfil (dentro do Centro Cultural São Paulo) e Monteiro Lobato (dentro da biblioteca de mesmo nome), ambas no centro da cidade.
O Brasil é motivo de orgulho na indústria de quadrinhos mundial. Estando aqui há mais de 150 anos, sua popularização veio nas décadas de 40 a 60, com nomes como Maurício de Sousa (criando a saga Turma da Mônica), Ziraldo (com histórias do Menino Maluquinho) e Laerte (cartunista pioneira responsável, por exemplo, nas aventuras dos “Piratas do Tietê”), devido aos primeiros lançamentos de revistas dedicadas ao formato, tendo tiragens semanais e apresentando histórias completas – no que antes eram somente contadas por capítulos. Os anos 2000 e 2010 não desapontaram, ganhando mais força com o movimento multicultural da cultura geek e principalmente com a atuação de uma nova geração de quadrinistas, importantes para a inserção de HQs brasileiras que levassem temas mais complexos e voltados ao jovem-adulto. Nomes, como de Marcelo D’Salete, Mike Deodato Jr., Fido Nesti, Marcello Quintanilha e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá ressignificam as produções quadrinísticas e conquistaram espaço mundo afora.
“São Paulo é um polo cultural em diferentes níveis, abarcando diferentes culturas e formas de fazer arte, o que inclui as histórias em quadrinhos e os nossos queridos gibis. A data chega em um momento oportuno, quando acabamos de aprovar as obras do Maurício de Sousa como patrimônio imaterial da cidade e com as celebrações de 90 anos que estamos desenvolvendo neste ano para celebrar suas contribuições e feitos, como vimos no último domingo (25) na ‘FilarMônica’ no Theatro Municipal. Precisamos olhar mais os gibis e HQs, sempre reforçando sua enorme participação no processo educativo, literário e imaginativo de crianças e jovens; e não só isso: vê-los com seriedade e atenção como excelentes formas de contação de histórias e amadurecimento.”, disse Totó Parente, secretário de Cultura e Economia Criativa da cidade.
Veja algumas histórias em quadrinhos brasileiras que faturaram prêmios internacionalmente – e que podem ser lidas livremente nas gibitecas Henfil e Monteiro Lobato:
- Dois Irmãos (2015) – Fábio Moon e Gabriel Bá
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor adaptação”. Dois Irmãos narra a turbulenta trajetória dos gêmeos Yakub e Omar, nascidos em Manaus. Descendentes de uma família libanesa, os irmãos sempre tiveram temperamentos contrastantes e suas diferenças cresceram ao longo dos anos, apesar do esforço dos pais, Halim e Zana, para que os dois se reconciliassem.

- Cumbe (2014) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor edição americana de material estrangeiro’. Em Cumbe, Marcelo D’Salete retrata de forma inovadora a luta dos negros no Brasil colonial contra a escravidão. O livro traz histórias em quadrinhos emocionantes, protagonizadas por escravizados, mostrando a resistência contra a violência das senzalas brasileiras.

- Tungstênio (2014) – Marcello Quintanilha
Vencedor do Prêmio Angoulême na ‘Fauve d’Or’ de Melhor HQ do ano, logo na primeira graphic novel de Marcello Quintanilha. Tungstênio conta a história de quatro personagens em paralelo: um sargento reformado do exército, um jovem traficante, além de um policial e sua esposa que vivem momentos difíceis em seu casamento. O que envolve esses personagens é um crime ambiental na orla de Salvador.

- Nem Todo Robô (2022) – Mike Deodato Jr
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor quadrinho de humor’. O graphic novel conta sobre o ano de 2056, em que os robôs substituíram os seres humanos como mão de obra. A coexistência entre robôs, com a inteligência recém conquistada, e os dez bilhões de humanos da Terra é tensa. A cada família humana é designado um robô, do qual elas se tornam dependentes.

- Angola Janga (2017) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Rudolph Dirks Award, da Alemanha, em 2019, e do Prêmio Jabuti. Conta a história do Quilombo de Palmares, conhecido entre seus moradores como Angola Janga, ou “Pequena Angola”, fruto de um trabalho de mais de 10 anos de pesquisa conduzida pelo autor Marcelo D’Salete.

- A Sereia da Floresta (2023) – Hiro Kawahara
Fazendo história ao ser o primeiro brasileiro a receber ouro na premiação do Japan International Manga Award, a HQ aborda uma sereia que faz um pacto para sobreviver em um outro mundo e em outro corpo, ressurgindo em uma floresta européia durante a Idade Média, onde encontra uma médica e alquimista persa. Juntas, elas tentam se adaptar a essa nova realidade, ao mesmo tempo em que a Grande Peste e a Inquisição assolam o mundo ao redor delas.

- Castanha do Pará (2016) – Gidalti Jr.
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2017. Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor.

- Quadrinhos dos Anos 10 (2016) – André Dahmer
Vice-campeã do Jabuti de Melhor HQ no mesmo ano. Na esteira das revoluções tecnológicas da virada do século, Quadrinhos dos anos 10 tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna.

- META: Depto. de Crimes Metalinguísticos (2021) – Marcelo Saravá e André Freitas
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2021. A HQ parte do assassinato de um desenhista, cujos principais suspeitos são os personagens criados por ele para uma HQ.

- Escuta, Formosa Márcia (2021) – Marcello Quintanilha
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2022 e do Prêmio Angoulême na ‘Fauve d’Or’ de Melhor HQ do ano e Rudolph Dirks. Mãe solteira, nascida e criada em uma comunidade do Estado do Rio, a enfermeira Márcia vem travando uma verdadeira batalha doméstica para disciplinar sua filha, a insubordinada Jaqueline. Porém, quando a jovem se vê envolvida até o pescoço com o crime organizado, Márcia estará disposta a chegar às últimas consequências para livrá-la dessa enrascada.

- Mukanda Tiodora (2022) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2023. O livro conta a história real de Tiodora Dias da Cunha, uma mulher negra nascida no Congo e trazida para o Brasil como escravizada no século XIX.

- Como pedra (2023) – Luckas Iohanathan
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2024. No árido Sertão nordestino, uma família luta contra a cruel dança da seca e da fome. Contudo, o verdadeiro desafio transcende as agruras da natureza. A filha do casal, aprisionada em uma cadeira de rodas, enfrenta uma doença silenciosa, que a priva do movimento e da voz. Em meio à escassez e à desesperança, a fé é testada e o fanatismo religioso emerge como uma sombra ameaçadora.

- Mais uma história para o velho Smith (2024) – Orlandeli
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2025. Sempre que voltava do mar, Smith trazia uma nova história. Todos paravam pra ouvir, ele é um ótimo contador de histórias. Porém, um dia, as histórias começaram a ir embora. Smith até tentou lembrar… mas elas não estavam mais lá. Smith decidiu. Quer mais uma. Mais uma vez vai entrar no mar. Ele sabe muito bem… É lá que elas estão

