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Cineasta sergipano Fellipe Paixão é selecionado por programa da Warner Bros. Discovery voltado a documentaristas negros

Ele integrou grupo de 10 profissionais escolhidos entre 596 inscritos em iniciativa voltada ao desenvolvimento de carreiras e projetos no audiovisual
Cineasta sergipano Fellipe Paixão é selecionado por programa da Warner Bros. Discovery voltado a documentaristas negros

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O cineasta sergipano Fellipe Paixão foi um dos dez participantes selecionados para a 3ª edição do programa Narrativas Negras Não Contadas — Black Brazil Unspoken, iniciativa da Warner Bros. Discovery voltada ao desenvolvimento e aceleração de carreira de documentaristas negros no Brasil. Ao todo, 596 projetos de diferentes regiões do país participaram do processo seletivo.

A seleção reúne realizadores de diferentes territórios e trajetórias em um contexto ainda marcado por desigualdades no acesso a financiamento, formação e circulação no audiovisual brasileiro, especialmente para profissionais negros fora dos grandes centros.

Paixão participa do programa com o projeto Rainhas da Palavra, documentário que investiga o protagonismo de mulheres negras nas batalhas de slam em Sergipe, com foco nas mulheres responsáveis pela articulação e sustentação dessas cenas no estado. O filme acompanha não apenas as performances, mas também os processos que mantêm esses espaços ativos, como organização, escuta, cuidado e construção coletiva.

“Me interessa a performance da palavra, mas também aquilo que existe antes e depois dela: a articulação, a produção, o cuidado, a criação de território. É um documentário que quer pensar o slam como espaço de escuta, disputa simbólica e reinvenção coletiva”, diz o diretor.

Cineasta sergipano Fellipe Paixão é selecionado por programa da Warner Bros. Discovery voltado a documentaristas negros
Foto: Victor Santos

Natural de Tabocas, povoado de Nossa Senhora do Socorro (SE), Fellipe Paixão atua como diretor, roteirista e diretor de arte, desenvolvendo seu trabalho a partir de experiências negras, periféricas e interioranas. É formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e integra o coletivo Agora Seremos, que desenvolve projetos audiovisuais colaborativos em contextos periféricos, articulando cinema, território, memória e formação.

Para o cineasta, seu trabalho parte de uma experiência situada e se insere em uma disputa mais ampla dentro do audiovisual brasileiro. “Chamar meu cinema de negro e periférico é uma forma de dizer que ele nasce de uma experiência situada e que, por isso mesmo, não aceita ser domesticado para caber mais facilmente num centro que sempre se entendeu como universal. É um cinema que quer disputar linguagem, método e futuro a partir daquilo que historicamente foi deixado de fora”, afirma.

Sua trajetória recente inclui a codireção do curta-metragem ALIVE (2024), selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes e o Festival de Gramado, além da participação no Nordeste Lab, onde foi premiado pelo YouTube Brasil para a realização do curta Pretinha (2025), centrado em masculinidades negras e juventude periférica. No campo da direção de arte, o cineasta assina o curta Óleo, produção sergipana selecionada para o Festival de Cannes.

Entre seus projetos em desenvolvimento, está o curta Fotopintura, que investiga memória e fabulação a partir de arquivos familiares, explorando a materialidade da imagem em película Super 8. O realizador também desenvolve seu primeiro longa-metragem e dá continuidade a projetos autorais voltados ao cinema ensaístico e territorial.

Ao integrar o programa da Warner Bros. Discovery, Fellipe Paixão amplia sua inserção em circuitos de desenvolvimento em um campo ainda atravessado por desigualdades raciais, regionais e de acesso. Em Rainhas da Palavra, o cineasta dá continuidade a uma pesquisa autoral marcada pela escuta, pela relação com o território e pela recusa de representações simplificadas de experiências negras, periféricas e interioranas. O projeto se insere em uma trajetória que pensa o cinema não apenas como resultado, mas também como processo, encontro e disputa por outras formas de produzir imagem no Brasil.

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Última atualização em: 6 de maio de 2026 às 11:10

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