As forças da natureza e a delicadeza dos sentimentos humanos convivem nos filmes de Hayao Myiazaki. Por mais de 50 anos, o cineasta e animador japonês tem encantado o mundo com obras, que criaram um estilo no cinema de animação, mas também provocaram reflexões sobre a relação entre o homem e o meio ambiente, como mostra o documentário inédito “Miyazaki: Espírito da Natureza”, que estreia com exclusividade no Curta! e já está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários.
Produção da Elephant e da ARTE France, com direção de Léo Favier, o longa integrou a seleção oficial do prestigioso Festival de Veneza. Com imagens de arquivo, depoimentos recuperados do diretor, trechos de animações e participação inédita de especialistas e colaboradores, como seu filho Goro Miyazaki e o produtor Toshio Suzuki, o documentário aborda como sua consciência do mundo está enraizada em suas obras, o que já se manifestava em seus primeiros desenhos na infância.
“Quando criança, não me expressava muito bem. Tomava poucas iniciativas. Talvez não tenha aproveitado minha infância tanto quanto poderia”, avalia Miyazaki em entrevista recuperada.
Seja em longas, curtas ou em mangás, o animador demonstra seu respeito e admiração pela natureza. Preocupado com a ganância humana, seus desenhos o reconciliam com a vida, com mensagens pacifistas e ecologistas, recuperando a relação entre os seres humanos e o ecossistema.
“Quando falamos de animismo no Japão, falamos basicamente do xintoísmo do campo. Da existência desses espíritos, essas criaturas com as quais os japoneses rurais interagem diariamente e que Miyazaki retrata muito bem em seus filmes”, analisa o antropólogo Philippe Descola, sobre a crença de que entidades e fenômenos naturais possuem almas e sentimentos.
Com esse espírito, Miyazaki funda o Studio Ghibli, que se tornaria um dos mais importantes e premiados estúdios de animação do mundo. Sucessos comerciais e de crítica como “O Castelo no Céu” (1986), “Meu Amigo Totoro” (1988) e “A Viagem de Chihiro” (2001), vencedor do Oscar de Melhor Animação, representam mundos naturais, fantásticos e mágicos, com personagens que se tornaram referência cultural. Ele voltaria a ganhar o Oscar de Melhor Animação com “O Menino e a Garça” (2023), além de um Oscar honorário em 2014, pela sua contribuição ao cinema.
“O Studio Ghibli não é uma empresa que estabelece uma meta e depois se esforça para alcançá-la. As coisas vão acontecendo”, comenta Toshio Suzuki, sócio do renomado e premiado estúdio, revelando o caráter artístico da empresa, em detrimento do empresarial ou financeiro.
“Miyazaki: Espírito da Natureza” é uma produção da ARTE France. O documentário pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br). A estreia no Curta! é no dia temático Quartas de Cena & Cinema, 29 de julho, às 22h.
