Publicidade

Negros no BBB: Vale a pena expor a própria vulnerabilidade para uma sociedade que se diverte com a dor negra?

Negros no BBB: Vale a pena expor a própria vulnerabilidade para uma sociedade que se diverte com a dor negra?

Publicidade

Aimé Césaire escreveu que “A colonização é a coisificação”. Um reality show, nesse conceito, é a continuidade da colonização por outros meios, a transformação do ser humano negro em coisa a ser observada, julgada e consumida.

Vejam, não estou aqui fazendo julgamento de valor sobre quem assiste ou deixa de assistir BBBs e congêneres. Só estou refletindo sobre os últimos cinco anos dessse programa.

A minha impressão é que negros dentro desses programas alimentam o zoológico, um show baseado em privação de sono e outras torturas, que aos olhos do povo, parecem amenas, mas que são criadas para forçar o limite do humor e da saúde dos participantes. E aí, dentro desses parâmetrso, o indivíduo negro, com muito mais a perder que o branco, entrega a própria imagem ao dispositivo que a transformará em estereótipo.

Quem recusa a participar paga o preço da invisibilidade e da falta de oportunidade crônica? Talvez. Mas é a invisibilidade escolhida contra a visibilidade distorcida. E entre ser visto como coisa e não ser visto, a dignidade pode estar justamente em escolher não ser visto nos termos do algoz.

Sol Vega no BBB26

No discurso neoliberal de representatividade a todo custo, caímos em armadilhas óbvias. Desde os tempos da escravidão, viemos aprendendo que nem todo espaço ocupado é conquista. Você se sente um vencedor em ocupar uma jaula? Vale a pena expor a própria vulnerabilidade para uma sociedade que historicamente se divertiu com a dor negra?

Alguém vai falar de Gil do Vigor, de Thelminha. Ora, para cada Gil do Vigor que consegue impor sua narrativa, dezenas de negros anônimos são sacrificados no altar da edição para confirmar o estereótipo esperado. A lógica industrial do reality show não foi feita para emancipar, foi feita para produzir conteúdo descartável, e corpos negros são a matéria-prima mais barata. Ainda assim, as páginas negras, se deleitam pelos likes que rendem esses três meses de confinamento.

Qualquer subversão nesses programas, é neutralizada e vira papo de meritocracia. O negro que “deu certo” vira exceção que confirma a regra e é usado como prova de que “não tem racismo”, enquanto a estrutura permanece intacta.

Publicidade

Última atualização em: 18 de fevereiro de 2026 às 9:00

Siga-nos no

Google News

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp

Deixe um comentário

Área para Anúncios

Seus anúncios aqui (área 365 x 300)

Publicidade

Matérias Relacionadas

Se inscreva na nossa Newsletter 🔥

Receba semanalmente no seu e-mail as notícias e destaques que estão em alta no nosso portal

Categorias

Publicidade

Links Patrocinados