O que significa ser um homem negro na Bahia? Essa é a pergunta que move Pássaros Azuis: O Universo Masculino é uma Gaiola, curta-documental baiano que reúne relatos de cinco homens negros sobre como o machismo e o racismo influenciaram suas trajetórias pessoais e sociais. O curta chega ainda neste primeiro semestre.
O projeto nasceu em 2019, a partir de uma pesquisa acadêmica desenvolvida em um Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo, e ganhou novos contornos em 2024 ao ser contemplado pelo Edital Paulo Gustavo Bahia.
Com forte apelo visual e dividido em três atos, o documentário utiliza elementos como gaiolas, tecidos e a cor azul para construir uma narrativa simbólica. A escolha cromática não foi aleatória.
“Em nossas pesquisas, vimos que a fabricação do azul em comunidades ocidentais era desvalorizada. Então traçamos um paralelo com a identidade negra, que ainda permanece no limbo social”, explica o diretor Italo Araújo.

Dividido em três atos, o curta entrelaça relatos pessoais com dados impactantes de instituições como IBGE, Ipea e Atlas da Violência, criando um mosaico que reflete a vivência urbana de Salvador.
Para o roteirista Vinicius Cerqueira, o filme cumpre um papel social urgente. “O curta é um filme necessário para a nossa sociedade. Ele traz à tona questões urgentes sobre machismo, racismo e a construção da identidade masculina negra”, afirma.
Entre os entrevistados estão o delegado Ricardo Amorim, o ator e afrochefe Jorge Washington, o gestor cultural Vagner Rocha, o criador do projeto Positivar Masculinidades Tiago Azeviche e o professor Bruno Santana.
As locações, da serena Lagoa do Abaeté ao vibrante Centro Histórico, ancoram as narrativas no coração da Bahia, transformando a cidade em coautora da história.
A produção executiva é assinada por Camilla França, fundadora da ARROZ Comunicação e Cultura – empresa baiana especializada em eventos, gestão cultural e comunicação, famosa por iniciativas como o Samba FC, que funde futebol e identidade local –, e Aline Fontes, coordenadora do NordesteLAB, plataforma que fomenta o audiovisual no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. A direção de produção é de Leandro Lopes, que também atua na equipe da cantora Liniker.
