Na infância, Fernanda Faya ouvia fragmentos sobre uma tia que vivia com sua avó. Negra, artista de circo, presença marcante — mas com origem desconhecida e poucas palavras ao redor do seu nome. Era Neirud.
Anos depois da morte dessa tia, já cineasta, Fernanda volta à história. O que começa como uma investigação familiar se transforma numa escuta mais ampla: sobre o que é silenciado, sobre quem desaparece nos arquivos, sobre os modos possíveis de lembrar.
Neirud fugiu de casa ainda criança, nos anos 1930. Foi acolhida por uma família de circo, onde cresceu, se formou artista e, mais tarde, virou lutadora numa trupe clandestina composta só por mulheres. Viveu por décadas ao lado de Nely, sua companheira. Mas quase nada disso foi registrado.
A partir de vestígios, fotografias, memórias orais e afetos herdados, o filme reconstrói uma trajetória de coragem, carinho e dissidência — em meio a palcos, lonas,caminhos e silêncios.
Neirud é uma história de amor entre duas mulheres, uma investigação íntima e um gesto de preservação do que quase se perdeu.
