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“Mortal Kombat II” é uma galhofa assumida, e é por isso que funciona

"Mortal Kombat II" (2026) é uma galhofa assumida, e é por isso que funciona

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O “Mortal Kombat” de 2021 foi bem criticado na época de lançamento por inserir um personagem novo sem a menor necessidade e também ignorar o torneio que fez da franquia de games um grande sucesso. Particularmente, embora não goste nadinha do personagem Cole Young, não acho o filme uma tragédia, mas esperava por um filme mais desavergonhado de ser o que é: uma adaptação de joguinho de luta. Quando anunciaram a continuação, com o mesmo diretor, minhas expectativas estavam no subsolo. E foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

“Mortal Kombat II”  é, acima de tudo, uma galhofa de qualidade  e usa essa identidade com a segurança que o primeiro filme jamais teve.

Simon McQuoid, o estreante do anterior, entrega agora uma espécie de reboot espiritual da própria franquia. O filme ignora o que não funcionou antes: a lógica confusa das arcanas, as marcas de nascença, aquele drama familiar artificial do protagonista original Cole Young. Tudo varrido para debaixo do tapete com um cinismo muito bem-vindo.

O roteiro para de tentar justificar seu próprio universo e só segue. A narrativa agora gira em torno de Johnny Cage e Kitana, uma ótima escolha. Enquanto Kitana carrega a vingança visceral contra Shao Khan (com uma cena de abertura brutal que apresenta o vilão com a fisicalidade ameaçadora que ele merece), Johnny Cage faz o papel mais importante de todos: representar o público que está ali só pela bagunça e tentando aceitar aquele mundo fantástico.

Se houve uma contratação perfeita nessa franquia, foi Karl Urban, que entende Johnny Cage como o galã decadente, a estrela de ação dos anos 90 que caiu num mundo absurdo e tenta encaixar sua canastrice consciente a cada frase de efeito, cada pose, cada olhar para a câmera como quem diz: “sim, isso é ridículo, e eu estou adorando”. Ele é o termômetro da galhofa do filme. Melhor ainda: sua química inesperada com Baraka rende os momentos mais genuinamente engraçados e absurdos da produção. Ele consegue superar Linden Ashby, que defendeu o personagem na boa adaptação de 1995

Os diálogos são teatrais, as entradas são performáticas, os golpes icônicos surgem com a empolgação de quem está mostrando um brinquedo novo. E a estrutura narrativa copia descaradamente o modo história dos jogos: avançamos de luta em luta como se estivéssemos assistindo às cutscenes antes de cada combate.

As lutas estão muito bem coreografadas e divertidas. O diretor brinca com as possibilidades de emprestar movimentos cartunescos aos personagens, sobretudo Noob Saibot e Scorpion, mas sem que pareça excessivamente fake . O realismo que ainda resta serve apenas como base para que poderes, fatalidades e poses surjam de maneira orgânica e empolgante. A fotografia poderia ter valorizado as cores das boas indumentárias, mas parece que filme sem cor é uma praga que não vamos nos ver livres tão cedo em Hollywood.

Além de Liu Kang (Ludi Lin), Kitana (Adeline Rudolph) também tem boa química com Jade (Tati Gabrielle), com a dinâmica entre as duas ajudando a aprofundar o drama da princesa guerreira que tem sua gênese iniciada de forma empolgante logo na abertura do filme com uma luta visceral e sanguinolenta onde conhecemos o imponente Shao Khan (Martyn Ford).

Falando nele, há pouco mistério envolvendo o vilão, que aparece bastante até, sem gerar nenhuma aura de mistério em volta, com a sensação de ameaça vindo exclusivamente de sua imponência física. E bom, funciona.

O clímax conta com um ótimo embate entre Liu Kang e Kung Lao, mas deixa personagens como Quan Chi, Shang Tsung e Raiden sem ter muito o que fazer. Já Noob Saibot (sim, a transformação de Bi-Han acontece, mas ele mal aparece) e Scorpion ficam vergonhosamente subaproveitados. E ainda há umas tentativas meio sem graça de meter referências pop atualizadas que não colam muito.

“Mortal Kombat II” não quer ser o ápice das adaptações de videogame. Ele quer ser uma galhofa bem-humorada, violenta e autoconsciente e consegue. É o tipo de filme que olha para a própria loucura e dá de ombros. É justamente o que faltava na franquia.

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Última atualização em: 13 de maio de 2026 às 10:59

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