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“Feito Pipa” conquista dois prêmios no Festival de Berlim e coloca Ceará no centro do cinema mundial

Longa de Allan Deberton, estrelado por Lázaro Ramos e Teca Pereira, vence Urso de Cristal e Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus. Filme foi rodado em Quixadá e região.
"Feito Pipa" conquista dois prêmios no Festival de Berlim e coloca Ceará no centro do cinema mundial

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O cinema brasileiro voltou a brilhar no cenário internacional neste sábado (21) com a dupla premiação de Feito Pipa (Gugu’s World)” no 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, um dos mais prestigiados eventos cinematográficos do mundo. O longa-metragem dirigido pelo cearense Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos conquistou o Urso de Cristal (Crystal Bear) de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra competitiva “Generation Kplus”, seção dedicada a obras que mergulham no universo infantojuvenil.

A produção, que teve sua estreia mundial na capital alemã, concorreu com outros filmes de diversos países e saiu consagrada tanto pelo júri oficial composto por jovens quanto pela crítica especializada. As premiações consecutivas colocam o Ceará no centro das atenções do circuito internacional e reforçam a pujança do cinema produzido fora do eixo Rio-São Paulo.

O Urso de Cristal é concedido por um júri infantil, formado por crianças e adolescentes de diferentes nacionalidades. Nesta edição, o grupo composto por Walter Moritz Arndt, Gustav Arnz, Thabani Dabulamanzi, Rosa Sophie Krasznahorkai, Vera Marsh, Emir Efe Özeren e Alma Sofia Villanueva Bullemer destacou a potência emocional das interpretações em sua decisão.

“As emoções de cada personagem individual nos tocaram profundamente. Fomos arrastados pela emocionante história, como se fizéssemos parte da ação. Foram abordadas questões importantes que merecem mais atenção”, declarou o grupo em nota oficial.

"Feito Pipa" conquista dois prêmios no Festival de Berlim e coloca Ceará no centro do cinema mundial
Yuri Gomes | Foto: Jamille Queiroz

Já o Grande Prêmio do Júri Internacional da categoria, concedido por especialistas — neste ano, os críticos e programadores Khozy Rizal, Lena Urzendowsky e Kim Yutani —, elogiou a narrativa vibrante e a construção dos personagens.

“Este filme nos cativou com sua narrativa vibrante e o multifacetado, seguro e feroz jovem protagonista e as maneiras muitas vezes bem-humoradas e comoventes com que aborda suas questões existenciais. Ficamos encantados com as atuações memoráveis de Yuri Gomes e Teca Pereira, e não esqueceremos o personagem de Gugu, que é tão atlético quanto fabuloso, e é obrigado a advogar para si mesmo à medida que o raro vínculo que tem com a avó se esvai”, ponderaram os jurados.

“Feito Pipa” acompanha a história de Gugu (Yuri Gomes) , um garoto de 12 anos que sonha em ser jogador de futebol. Criado com liberdade pela avó, Dilma (Teca Pereira) , o menino se vê diante do desafio de ter de morar com o pai, Ricardo (Lázaro Ramos) , com quem mantém uma relação distante e difícil. A transição forçada expõe conflitos geracionais, questões de masculinidade e a luta do protagonista para preservar sua identidade em um novo ambiente.

O longa aborda com sensibilidade as descobertas da infância e os dilemas do amadurecimento, equilibrando drama e humor em uma narrativa que, segundo os jurados, “cativa pela autenticidade”.

As filmagens ocorreram em Quixadá, a 148,91 km de Fortaleza, e em municípios vizinhos, no interior do Ceará. A trama utiliza como cenário as margens da Barragem de Araújo Lima, onde a seca severa revela as ruínas de uma antiga cidade submersa — uma imagem poética que dialoga com os temas de memória, perda e transformação presentes no filme.

A paisagem sertaneja, marcada pelos monólitos característicos da região, oferece um pano de fundo único para a história, contrastando a dureza do ambiente com a leveza do protagonista e sua relação com a avó.

Além de Lázaro Ramos e de Teca Pereira, o filme conta com a revelação Yuri Gomes no papel principal, em uma performance descrita como “segura e feroz”. A direção é de Allan Deberton, cineasta cearense conhecido por seu olhar sensível para as dinâmicas afetivas e sociais do Nordeste brasileiro.

A produção é mais um marco na trajetória de Deberton, que já havia chamado a atenção da crítica com “Pacarrete” (2019).

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Última atualização em: 25 de fevereiro de 2026 às 21:55

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