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“A Voz Humana”: Larissa Nunes estreia primeiro monólogo da carreira e reinventa clássico sobre abandono de Jean Cocteau

“A Voz Humana”: Larissa Nunes estreia primeiro monólogo da carreira e reinventa clássico sobre abandono de Jean Cocteau

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O que acontece quando uma talentosa, pela primeira vez, se debruça sozinha em cima de um dos textos mais dolorosos e delicados do teatro francês? A resposta está em “A Voz Humana”, monólogo de estreia da atriz Larissa Nunes, que sobe ao palco do Teatro Iquê a partir do dia 20 de junho em São Paulo. O espetáculo parte do texto original de Jean Cocteau – escrito em 1930 – mas ganha nova dramaturgia, direção e um dispositivo de cena inédito assinados por José Fernando Peixoto de Azevedo.

Longe de reproduzir a narrativa clássica do abandono feminino como destino, esta montagem transita entre a literalidade do texto e a biografia emocional de sua intérprete. Larissa Nunes, também conhecida pelo trabalho em novelas e séries, revela os passos de uma resistência inicial que se transformou em potência criativa:

“Quando li ‘A Voz Humana’ pela primeira vez, recusei intimamente. A ênfase no abandono me parecia repor um lugar do qual eu queria escapar. Mas conforme a sala de ensaio foi acontecendo, o encontro se dando forte e fui experimentando trocas com a direção, ouvindo e me atentando – fui chegando mais perto do que Cocteau quis dizer com ‘um pretexto para uma atriz’.”

“A Voz Humana”: Larissa Nunes estreia primeiro monólogo da carreira e reinventa clássico sobre abandono de Jean Cocteau

O ponto de virada do processo, segundo a atriz, veio quando ela compreendeu que era preciso coragem para reunir em si “algumas histórias incompletas” – histórias de amor ou histórias de ausência, que em algum momento da trajetória de uma mulher negra se confundem. Foi nesse mergulho pessoal que outra peça apareceu diante dela:

“Não mais sobre dependência, mas sobre uma mulher que se compreende e se liberta.”

Essa chave de leitura atualiza o texto de Cocteau para o centro de um debate urgente: a autonomia feminina, o fim do ciclo da espera e o direito de reescrever a própria história. O abandono, que antes parecia um lugar do qual escapar, transforma-se em mote para uma encenação sobre recomeço.

A direção musical e a música em cena ficam por conta de Eloíza Paixão, que cria uma trilha original e também atua ao vivo durante o espetáculo, borrando a fronteira entre música de cena e performance. Complementam a equipe criativa:

O release original da produção sintetiza essa camada: “Histórias de amor ou histórias de ausência — que em algum momento da trajetória de uma mulher negra, se confundem.” O resultado é um monólogo que não apenas emociona, mas também interroga: quem tem autoridade para falar de dor amorosa? E como essa dor se reconfigura quando quem fala é uma mulher negra em um teatro independente paulistano?

Serviço

Espetáculo: “A Voz Humana”
Estreia: 20 de junho de 2026
Temporada: a definir
Local: Teatro Iquê – São Paulo – Rua Iquirin, 110, Vila Indiana
Ingressos: https://teatroique.byinti.com/#/event/uma-voz-humana
Duração: aproximadamente 60 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

Ficha técnica completa:
Texto original – Jean Cocteau
Dramaturgia, dispositivo de cena e direção – José Fernando Peixoto de Azevedo
Atuação – Larissa Nunes
Direção musical e música em cena – Eloíza Paixão
Câmera em cena – Samurai Cria
Preparação corporal – Gisele Calazans
Desenho de luz – Thiago Yuta
Fotografia – José de Holanda
Assessoria de imprensa – Nossa Senhora da Pauta e Casnovo
Produção – Anderson Vieira
Realização – Sociedade Arminda e Teatro Iquê

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Última atualização em: 6 de junho de 2026 às 22:02

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