O que aproxima uma mulher da elite paulistana em processo de separação nos anos 1980 de uma migrante nordestina presa a sucessivos relacionamentos abusivos? O que conecta essas histórias às dúvidas, contradições e experiências de mulheres e homens que vivem relacionamentos hoje? São vozes femininas que insistem em existir, apesar do silenciamento.
Essas perguntas atravessam Divórcio, espetáculo inédito criado a partir da parceria entre Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra na dramaturgia. Além de assinar a direção da montagem, Raissa divide a cena com Dina Alves, atriz e ativista, em uma temporada que acontece entre 3 e 26 de julho de 2026, no Complexo Cultural Funarte SP, em sessõesàs sextas e sábados às 20h e, aos domingos, às 18h.
Construída a partir de documentos reais, pesquisa de campo e relatos de vida, a peça articula quatro narrativas que atravessam épocas, classes sociais e perspectivas distintas. Em cena, Maria Helena tenta compreender o fim de um casamento marcado pelo patriarcado. Maria Sansão busca escapar de uma estrutura opressora que parece se repetir a cada novo relacionamento. Outras duas mulheres contemporâneas compartilham inquietações sobre amor, trabalho, maternidade e autonomia. Enquanto isso, dois homens tentam entender seus próprios comportamentos e o lugar que ocupam dentro de uma sociedade ainda marcada pelo machismo. A peça aposta no enfrentamento dessas questões e no diálogo que pode haver na sociedade sobre os efeitos do patriarcado nas relações humanas.

O ponto de partida para a pesquisa e criação da peça foi a descoberta de um conjunto de cartas que documenta um doloroso processo de divórcio em uma família de classe média alta, em São Paulo, capital, na década de 1980. Ao entrar em contato com os documentos, a psicóloga Cecília Galvani descobriu no material um registro histórico das dinâmicas de poder que atravessam as relações de gênero e se perpetuam através de gerações. As cartas desencadearam uma ampla pesquisa sobre expressões do patriarcado e sua ressonância em diferentes classes sociais. A investigação envolve o público e o convida a refletir sobre facetas desta forma de violência social que oprime não apenas mulheres, mas pessoas de todos os gêneros – inclusive os homens.
A dramaturgia criada por Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra foi construída a partir do encontro entre ficção, pesquisa documental e testemunhos reais de mulheres vítimas de violência. Entre as fontes está a história de Maria Corajosa, baseada em um relato publicado em Histórias de Marias, coletânea organizada pela União de Mulheres durante as ações de mobilização em torno da Lei Maria da Penha. O processo também dialoga com Melhor não contar (2024), de Tatiana Salem Levy, livro que transforma experiências de abuso, silêncio e trauma em narrativa literária. Ao incorporar essas referências, o espetáculo inscreve em cena vozes que atravessam diferentes gerações e contextos, evidenciando a persistência da violência contra as mulheres e as formas de enfrentá-la.
SERVIÇO
Divórcio
Data: 3 a 26 de julho de 2026, às sextas e sábados às 20h e, aos domingos, às 18h.
Local: Complexo Cultural Funarte SP – Sala Carlos Miranda – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo, SP
Ingresso: R$ 50 (inteira) e R$25 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), vendidos pela Sympla aqui: https://www.sympla.com.br/evento/divorcio-funarte-sp/3467649
Telefone: (11) 95078-3004
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
