Brasil bate recorde de feminicídio e mulheres negras são as principais vítimas
Após a estreia na Pequena África, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), e de uma temporada de sucesso no maior Pólo Cultural da América Latina, a Cidade das Artes, a exposição “Rosto de Mulher” chega à Zona Sul da Cidade, no Instituto Cervantes, em Botafogo. A mostra, que nasce devido a uma experiência familiar envolvendo a mãe do cineasta Jarsom Wayns, é inspirada nas cartas de uma mulher que traz nas suas memórias as marcas da violência doméstica.
Muito do sucesso da exposição se deve ao cuidado de retratar um tema tão difícil de forma tão sensível, trazendo a identificação de muitas mulheres em suas trajetórias de vida. Segundo uma pesquisa divulgada recentemente no Portal G1, o país registrou 1.463 feminicídios em 2023, uma alta de 1,6% em relação ao ano anterior. O relatório publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostrou ainda, que esse aumento se deu em 18 estados, representando um caso a cada seis horas.

Os dados assustam, mas reforçam a necessidade de retratar este cenário. Na 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), 74% das mulheres entrevistadas afirmam que sofreram algum tipo de violência, seja física, psicológica e/ou moral. Só no Estado do Rio, a Central 190 da Secretaria de Estado de Polícia Militar recebeu 57 mil chamados relacionados a casos de violência contra a mulher no ano de 2023.
Os números comprovam ainda que mulheres negras representam 62% das vítimas de feminicídio, de acordo com a Anistia Internacional. Resultados que envolvem o racismo, a falta de oportunidades e a forte desigualdade social e de direitos. Com isso, através de seis obras, a exposição revela etapas de circunstâncias que uma mulher enfrenta desde a adolescência até a maturidade, lidando com um mundo selvagem e cruel, marcado pelo machismo, mas também promovendo a autoeducação de nossas ações.
Levantando a importante bandeira de combate a violência contra mulher pela perspectiva da arte, Rosto de Mulher traz mais do que histórias de superação. Os grafites e histórias em quadrinhos da artista Natf retratam ainda a selvageria da sociedade em relação às mulheres negras, que vai se conectar às fotografias da jovem indígena Isabel Figueira. O mar é o que transporta inúmeros recursos e lembranças plasmadas na obra de Luanda Maria, uma artista que revela em suas pinturas os mais obscuros silêncios e seu encontro com a natureza, assim como o documentário “Marias” de Yasmim Dias.
A exposição, que fica em cartaz até o dia 27 de abril, traz também a participação especial das obras fotográficas da intervenção “Verborragia”, com direção cênica e dramaturgia de Hudson Batista, da Gudi Hud Produções, e fotografias de Bendito Benedito. Durante a visita é possível viver uma experiência sensorial com o mar, em uma interação de som e imagem.
Serviço:
Exposição Artística Rosto de Mulher
Aberto ao público: até 27 de abril de 2024
Horário: 10h às 17h
Local: Instituto Cervantes
Endereço: Rua Visconde Ouro Preto, 62 – Botafogo
Entrada: Gratuita
Classificação: 14 anosInstagram: @rostodemulher.exposicao
