Depois de promover um ciclo gratuito de oficinas de formação cultural na Fábrica de Cultura da Brasilândia, o Quebrada Viva chega ao seu momento de celebração com um festival gratuito no dia 25 de julho, no Parque Linear Bananal-Canivete, na Zona Norte de São Paulo. A programação reúne música, teatro, literatura oral, samba, jazz, videomapping e atividades para todas as idades, reafirmando o compromisso do projeto com a valorização da produção artística periférica e a ocupação dos espaços públicos por meio da cultura.
“Sonho com esse festival há dez anos, quando iniciei minha carreira como produtora cultural independente, focada na arte contemporânea periférica. Venho de uma família ligada à música — meu pai foi DJ e minha avó, puxadora de samba-enredo na Unidos do Peruche —, mas que nunca viu a arte como sustento. Cresci nesse ambiente e, desde a infância, o SESC e a igreja foram meus primeiros contatos com a cultura, o canto e a musicalidade.”, relembra a idealizadora do projeto e gestora cultural Michelle Serra. “O Quebrada Viva é o primeiro passo para os próximos 20 anos. Ele nasce de uma construção coletiva e periférica, pensando no chão que pisamos. Trazer a comunidade para as formativas e gerar fonte de renda para uma família preta e periférica — venho de um quintal com mais de 50 pessoas — é fundamental. Queremos que o festival gere empregos para mães solo e pessoas invisibilizadas pelo mercado”.
O projeto embrionário do Quebrada Viva começou em novembro de 2020, com vídeo mapping de mensagens para as pessoas se protegerem durante a pandemia. No ano seguinte, o projeto oficialmente nasceu com projeções de frases de figuras importantes – como a cantora Bia Ferreira e a escritora Conceição Evaristo – nos muros das periferias. Por isso, a partir das 18h, a VJ Bruna Isumavut, ao lado de Galo William, Shay Serra, Nutella e Gih Elizabeth – alunos da oficina de VJ – exibem na entrada do parque e nos edifícios do seu entorno mulheres negras abolicionistas e suas histórias, como Zeferina e Tereza de Benguela.

A abertura do palco principal acontece às 14h com a apresentação do DJ Raytech, acompanhado por DJ Xum, Vossog, Lets Diaz, Ant & Refulgeo, alunos da oficina de discotecagem realizada durante a etapa formativa do projeto, marcando a conexão entre formação e prática artística. Em seguida, às 15h, sobe ao palco o coletivo DeeJazz, que mistura jazz, hip hop e improvisação em releituras de grandes nomes da música brasileira e internacional.
A programação segue às 17h com a rapper Stefanie, uma das vozes mais importantes do rap nacional contemporâneo, que convida a rapper e poeta Cristal para uma participação especial. Às 17h50, o cortejo do Bloco Jah É leva o samba reggae para o parque, antes da apresentação do lendário Trio Mocotó, às 18h30, referência histórica do samba-rock brasileiro. Às 19h40, DJ K-Mina assume as pick-ups com um set dedicado à black music, samba rock, afrobeats e brasilidades, preparando o público para o show da rapper MC Luanna, que fecha o festival com sua mistura de rap, trap e funk, às 20h30.
Além do palco principal, o parque recebe uma programação paralela de intervenções culturais. Às 10h da manhã, o espetáculo infantil “Os Piratas na Ilha do Tesouro Perdido” convida crianças e famílias para uma aventura teatral repleta de humor e fantasia. Às 14h, o Slam do Pico promove uma intervenção poética ao ar livre, enquanto, às 15h30, o Caldeirão do Samba da Dobrada ocupa o parque com uma tradicional roda de samba. Ao longo do evento, o coletivo O Jazz Não Morde circula pelo espaço em formato itinerante, aproximando o jazz do público de forma descontraída e acessível.
O Festival Quebrada Viva é idealizado por Michelle Serra com apoio cultural do Instituto Poiesis, Fábrica de Cultura da Brasilândia e produção do Instituto SUAME Esperança.
SERVIÇO @ FESTIVAL QUEBRADA VIVA
Local: Parque Linear Bananal-Canivete, Brasilândia – São Paulo (SP)
Data: 25 de julho, sábado
Horários: das 10h às 21h30
Entrada: Gratuito
Mais informações: contato.quebradaviva@gmail.com
PROGRAMAÇÃO
PALCO PRINCIPAL
14h: DJ Ray com os alunos da oficina: DJ Xum, Vossog, Lets Diaz, Ant & Refulgeo
15h: Deejazz
17h: Stefanie (part. Cristal)
17h50: Bloco Jah É (no parque)
18h30: Trio Mocotó
19h40: DJ K-Mina
20h30: MC Luanna
INTERVENÇÕES
10h: Espetáculo infantil “Os Piratas na Ilha do Tesouro Perdido”
14h: Slam do Pico (no parque)
15h30: Caldeirão do Samba da Dobrada
18h: Video mapping com Bruna Isumavut e os alunos da oficina: Galo William, Shay Serra, Nutella e Gih Elizabeth
O Jazz Não Morde faz intervenções pela comunidade
