Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, o Sesc Consolação realiza a terceira edição do Se Joga, Preta! , projeto que une esporte, cultura e convivência para refletir sobre representatividade e o protagonismo das mulheres negras na sociedade brasileira.
O destaque da programação acontece no dia 22 de julho (quarta-feira), às 19h, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, com um bate-papo musicado que reúne as integrantes do Fat Family – Suzete, Katia e Simone Cipriano –, a campeã mundial e medalhista olímpica do basquete Janeth Arcain e a rapper, historiadora e ativista Preta Rara. Em uma conversa atravessada por memórias, trajetórias e experiências de resistência, as convidadas discutem a baixa presença da mulher preta no esporte. Ao longo do encontro, as integrantes do Fat Family cantam sucessos que marcaram sua carreira e ajudaram a consolidar o grupo como uma das maiores referências da música negra brasileira. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos com uma hora de antecedência no teatro.
Mais do que uma celebração, o projeto nasce de uma inquietação pessoal da educadora do Sesc Consolação, Marina Ribeiro Ricardo. Desde a infância, Marina percorreu quadras de vôlei, futsal, corridas de rua e arenas de futevôlei observando uma ausência recorrente: a baixa presença de mulheres negras nesses espaços. Atleta, professora e uma das pioneiras do futevôlei feminino em São Paulo, ela transformou essa percepção em uma iniciativa voltada à criação de redes de apoio, fortalecimento de referências e ampliação do acesso ao esporte.
“Desde menina, eu percebia como era raro encontrar mulheres pretas nos espaços esportivos. Com o tempo, entendi que essa ausência está ligada a questões de acesso, representatividade e oportunidades. O Se Joga, Preta! nasceu para fortalecer redes de apoio, celebrar nossas ancestrais e ampliar referências para que mais mulheres negras se reconheçam como pertencentes aos espaços esportivos” , afirma Marina.

Ampliação e impacto
Ao longo de suas três edições, o projeto tem ampliado sua rede de participação. Na primeira edição, nove educadoras negras da instituição estiveram envolvidas nas atividades. Em 2026, esse número chegou a 38 participantes. Como parte da proposta, as educadoras passaram por processos de sensibilização e formação voltados à discussão sobre raça, gênero e presença das mulheres negras nos espaços esportivos. Entre os relatos compartilhados estão o fortalecimento da autoestima, do sentimento de pertencimento e da compreensão da importância de ocupar esses espaços.
Nesta edição, o projeto reverencia as mulheres pretas ancestrais, reconhecendo aquelas que abriram caminhos para que novas gerações ocupassem espaços historicamente negados. O projeto também busca promover encontros entre diferentes gerações de mulheres negras e destacar suas contribuições para o esporte, a cultura, a educação e a ampliação das oportunidades para futuras gerações.
Programação completa
Além do encontro principal, a programação convida o público a participar de atividades conduzidas por educadoras pretas do Sesc:
- Circuito Esportivo (25 de julho, sábado): jogos e dinâmicas que estimulam a convivência, a troca de saberes e a ocupação dos espaços esportivos de forma acolhedora e inclusiva.
- Ritmos (mesmo dia): experiência de dança e integração inspirada em manifestações musicais, celebrando o corpo, a expressão e a coletividade.
- Baile da Preta (encerramento do dia 25/7): grande celebração da ancestralidade, da autoestima e da potência das mulheres negras, com participação de Preta Rara e coreografias conduzidas por educadoras do Sesc.
A programação inclui ainda uma imersão estética exclusiva para as educadoras do Sesc, conduzida por Grand Mama e Diva Green, abordando referências culturais, simbólicas e históricas da cultura negra por meio de cabelos trançados, turbantes, adornos e vestimentas.
“O Se Joga, Preta! quer ampliar referências para meninas e mulheres negras. Quando vemos uma atleta como Janeth Arcain, artistas como Fat Family e uma intelectual e ativista como Preta Rara compartilhando suas histórias, percebemos que existem muitos caminhos possíveis de sonhar, criar, liderar e conquistar. O projeto nasce desse desejo de mostrar que mulheres negras podem ocupar espaços de liderança, criação, excelência esportiva e artística. O próprio nome já é um convite: Se Joga, Preta!. Acredite no seu potencial, ocupe os espaços e construa sua trajetória” , finaliza Marina.
