“A Mulher da Casa Abandonada” chegou esta semana ao Prime Video com os três episódios da série documental dirigida por Kátia Lund, Livia Gama e Yasmin Thayná . A obra é uma adaptação expandida do podcast homônimo que se tornou uma sensação nacional em 2022 e foi um dos mais ouvidos no país.
No conteúdo original, o jornalista Chico Felitti investiga uma senhora peculiar que mora em uma mansão em ruínas em um bairro nobre de São Paulo. Ao longo da investigação, ele descobre que a moradora foi acusada, juntamente com seu ex-marido, de agredir e manter ilegalmente a trabalhadora doméstica brasileira Hilda Rosa dos Santos nos Estados Unidos durante os anos 2000. A série, que apresenta novos detalhes sobre o caso, também ouve, pela primeira vez, as declarações da vítima.

“Para mim, esse trabalho foi guiado por três pilares muito claros. O primeiro foi responsabilidade. Estávamos lidando com uma história real, sensível e dolorosa. Cada detalhe das reencenações foi pensado com extremo cuidado, sempre baseado em relatos verificados. Não era apenas recontar, mas respeitar a memória das pessoas envolvidas. Enquanto a Kátia Lund estava nos Estados Unidos filmando as entrevistas, eu acompanhava tudo em tempo real, ouvindo cada relato e já imaginando quais cenas poderiam traduzir visualmente aquela narrativa”, conta Livia Gama
O caso, que na época teve grande repercussão jurídica nos Estados Unidos, gerou intensos debates e levou à criação de uma lei que protege vítimas de trabalho forçado, permitindo que trabalhadores que denunciam abusos possam permanecer legalmente naquele país.
Livia conta que desde o início, quis fugir de algo teatral ou exagerado. Trouxemos uma estética mais cinematográfica, sem perder a essência documental. “Minha experiência tanto na publicidade quanto no jornalismo ajudou a equilibrar o rigor narrativo com uma construção visual interessante. Queríamos criar um true crime que convidasse o espectador a entrar no universo, sentir a atmosfera, sem recorrer ao sensacionalismo”, explicou.
Livia Gama quis que a série fosse informativa, mas que também deixasse o público imerso como se fizesse parte dquilo tudo “in loco”. “Mais do que transmitir informação, era importante conduzir o público para dentro da história, criando um ritmo que desse espaço para a reflexão, para o silêncio e para o peso emocional dos acontecimentos. Quis que, ao assistir, o espectador não apenas entendesse o que aconteceu, mas sentisse. Que fosse guiado de forma sensível por cada imagem, cada pausa, cada escolha estética — tudo a serviço da compreensão e da verdade dessa história”, conclui a diretora.
