Quem tem liberdade para circular pela cidade sem medo de ser abordado pela polícia? Historicamente, para o Sistema de Justiça Criminal, ser jovem, negro e morador de favela e periferia, é ter um duplo alvo nas costas: pela cor da sua pele e pelo lugar onde você mora. Para denunciar essa realidade, o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), em parceria com o coletivo Corre dos Cria, realiza neste domingo (7) uma corrida no Leblon, o bairro mais rico da cidade do Rio de Janeiro, e uma das áreas onde as abordagens por porte de drogas para consumo acontecem majoritariamente com pessoas negras e pobres. Com concentração às 7 horas, no posto 12, o trajeto segue até o Posto 6 de Copacabana. A corrida é gratuita e aberta para todas as pessoas.
A aplicação da Lei de Drogas no Rio de Janeiro é seletiva, racial e socialmente estruturada. É o que mostra a pesquisa inédita Engrenagem Seletiva: o tratamento penal dos crimes de drogas no Rio de Janeiro, do CESeC, lançada em novembro. Entre 2022 e 2023, das 3.392 pessoas acusadas por crimes relacionados a Lei de Drogas, 94% eram homens e 68,9% eram negros. E tudo começa na abordagem. O estudo mostra que 87,8% das abordagens acontecem em via pública e 41,9% em razão do que a polícia define como “comportamento suspeito”. Entre a abordagem e a sentença, a medida que o processo avança no Sistema de Justiça Criminal, mais negro e pobre é o perfil dos réus. O que comprova o racismo estrutural presente no Sistema de Justiça brasileiro.
SERVIÇO
Data: 07/12/2025
Concentração: 7H
Local de saída – Posto 12, Leblon
Horário: 7H30
Local de chegada: Posto 6, Copacabana
GRATUITA
