O Clube de Regatas do Flamengo anunciou nesta segunda-feira (data) o encerramento imediato de duas modalidades olímpicas: a canoagem e o remo paralímpico — este último, a única modalidade adaptada mantida pela instituição. A decisão, comunicada pela diretoria presidida por Luiz Eduardo Baptista (Bap), resultou na dispensa de atletas de alto rendimento e no fim de projetos com histórico de representatividade para o esporte brasileiro.
Entre os desligados está Isaquias Queiroz, um dos maiores nomes do esporte nacional, dono de cinco medalhas olímpicas — incluindo ouro em Tóquio-2020 e prata em Paris-2024 — e referência mundial na canoagem velocidade. Também deixam o clube os canoístas Gabriel Assunção, Mateus dos Santos, Valdenice do Nascimento e Roberto Maehler.
No remo paralímpico, atletas como Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcelos de Oliveira e Valdenir Júnior tiveram seus vínculos rescindidos. O Flamengo era um dos poucos clubes brasileiros a manter uma estrutura dedicada ao remo adaptado.
Justificativa do clube: foco em “estrutura de base” e proximidade geográfica
Em nota oficial, o Flamengo afirmou que a medida faz parte de uma “reestruturação estratégica” para “concentrar recursos em esportes com estrutura de base permanente e maior proximidade geográfica com o Rio de Janeiro”. O argumento faz referência ao fato de que muitos canoístas treinam fora do estado — Isaquias, por exemplo, reside e treina em Curitiba (PR).
O clube destacou ainda que “continuará investindo fortemente nas categorias de base do futebol, no basquete, no vôlei, no judô, no atletismo e em outras modalidades olímpicas com tradição na casa”.
A decisão foi recebida com ressalvas por parte da comunidade esportiva e paralímpica. Especialistas e atletas questionam o timing e a justificativa, uma vez que o Flamengo vive um momento de receitas recordes, impulsionadas principalmente pelo futebol.
“Enquanto clubes de elite ampliam suas receitas a patamares bilionários, cortar modalidades que dão oportunidade a atletas paralímpicos e olímpicos de ponta é um retrocesso”, afirmou um ex-gestor de esporte olímpico, que preferiu não se identificar. “O Flamengo tem uma responsabilidade social imensa, que vai além do futebol.”
A extinção do remo paralímpico no clube é vista como um golpe para a inclusão no esporte de alto rendimento. “Modalidades paralímpicas já lutam por visibilidade e patrocínio. Quando um clube do tamanho do Flamengo recua, o sinal é negativo para todo o movimento”, comentou uma dirigente de entidade paralímpica.
