O atacante Stephen “Kiki” Ramos, de 17 anos, escreveu um capítulo inédito na história do futebol argentino. Nascido no Haiti, ele se tornou o primeiro jogador negro convocado para uma seleção de base da Argentina e é apenas o quarto atleta negro a vestir a camisa da Albiceleste em mais de cem anos .
A história de Kiki começa sob o impacto da tragédia. Nascido em abril de 2009, na capital Porto Príncipe, ele tinha apenas nove meses quando o terremoto de 7 graus na escala Richter devastou o Haiti em janeiro de 2010, matando centenas de milhares de pessoas . Sobrevivente do desastre, o menino foi adotado por uma família argentina e levado para Buenos Aires .
Criado na Argentina, Kiki ingressou nas categorias de base do Vélez Sarsfield aos seis anos e desde então vem se destacando. Atualmente, atua como atacante pela ponta esquerda ou como centroavante, destacando-se pela potência física, velocidade no um contra um e faro de gol . Na temporada, marcou 12 gols, o que chamou a atenção do técnico Diego Placente, da seleção sub-17 .

O jovem fez sua estreia pela Argentina sub-17 no dia 28 de julho, no amistoso contra o Equador, vencido por 2 a 1 . No segundo jogo contra a mesma seleção, Kiki já balançou as redes, marcando o gol do empate em 1 a 1 . Ele está confirmado na lista de convocados para a Copa do Mundo sub-17, que será disputada no Catar entre novembro e dezembro de 2026 .
Com a convocação, Kiki se torna o quarto atleta negro a defender a Argentina, ao lado de Alejandro De Los Santos (década de 1920), José Ramos Delgado (zagueiro na Copa de 1966) e Héctor Baley (goleiro reserva do título mundial de 1978) . Diferente dos antecessores, ele tem a chance de ser o primeiro a ser titular regularmente.
A presença de Kiki na seleção quebra um longo silêncio sobre a diversidade étnica no futebol argentino. Em 2022, a ausência de jogadores negros na Copa do Mundo gerou debate internacional e trouxe à tona o processo histórico de “apagamento negro” na identidade nacional argentina .
O futuro do jovem atacante é promissor. Além de ser peça-chave na campanha argentina no Mundial sub-17, Kiki já desperta interesse de olheiros europeus, que acompanham de perto seu desenvolvimento no Vélez Sarsfield .
