Em “Constituição e Deliberação na Teoria Política de Aristóteles”, Patricio Tierno, discute conceitos fundamentais da teoria política do Estagirita
Editada pela Edusp, a obra enfoca o pensamento político aristotélico, exposto principalmente em seu opus magnum, Política, a partir de dois conceitos nucleares: a constituição (a estruturação da Pólis) e a deliberação (a ação prática dos cidadãos).
Para Aristóteles, a Pólis (o Estado) não é, como nos modernos, uma criação artificial, mas o resultado do desenvolvimento natural, que precede o indivíduo, a família e a comunidade, entes que só ganham sentido quando passam a integrar a Cidade-Estado.
Se a constituição diz respeito à estrutura, a deliberação é o mecanismo pelo qual os cidadãos exercem a sua racionalidade prática. O homem aristotélico é um animal político que dispõe da razão (Logos), sendo a deliberação o uso coletivo dessa razão para buscar o que é útil e justo para alcançar o bem comum.

A ponte que une a constituição e a deliberação é o cidadão, que, para o filósofo, não é apenas o habitante da Cidade, mas aquele que participa das funções deliberativas da Pólis. O livro também discute a abordagem de Aristóteles sobre as formas de governo: a monarquia, a aristocracia ou o regime constitucional, e seus desvios – a tirania, a oligarquia e a democracia.
Tierno tira lições do pensamento clássico que ainda hoje são fundamentais para a compreensão do fenômeno político, buscando respostas para perguntas do presente que no passado não tinham sido necessariamente formuladas da mesma forma.
