O sábado (16) no Allianz Parque foi marcado por uma noite de peso internacional com Korn, Spiritbox e Seven Hours After Violet. Mas antes do som pesado das atrações gringas, o trio mineiro Black Pantera mostrou por que merece cada vez mais espaço nos grandes palcos do Brasil.
A apresentação foi fiel à identidade que consagrou a banda: show direto, sem firulas, com energia bruta e discurso afiado. Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo Pancho dominaram o palco com movimentação sincronizada e pulos constantes, transformando cada faixa em um momento de catarse coletiva. O repertório focou nos álbuns “Ascensão” e “Perpétuo”, mas não deixou de lado o hino “Fogo nos Racistas”, que, como era de se esperar, gerou a maior roda e o coro mais alto da noite.
Um dos pontos altos foi a execução de “Cola” com a tradicional “Roda das Minas”. A iniciativa de abrir um mosh pit exclusivo para mulheres é uma ação prática de enfrentamento à violência de gênero e à exclusão histórica dentro da cena pesada. Funcionou. E funcionou porque o público já entendeu e abraçou a proposta da banda.

Entre uma música e outra, os discursos contra o racismo e a favor da diversidade soaram naturais, nunca panfletários demais. Essa naturalidade vem da coerência que o Black Pantera construiu ao longo dos anos e que hoje rende a eles o respeito até de quem nunca tinha ouvido falar do trio antes.
O lado negativo (e que não é culpa da banda)
Muitos fãs chegaram atrasados ou perderam parte do show por conta da revista minuciosa nos portões do estádio. A produtora já havia avisado sobre a lentidão na entrada para evitar rojões e sinalizadores, mas o planejamento pareceu insuficiente para a demanda. O resultado foi uma plateia que queria estar lá desde o primeiro acorde, mas que enfrentou filas e frustração, algo que comprometeu o início da apresentação para boa parte do público.
Mesmo com o contratempo logístico, o Black Pantera fez o que sabe fazer de melhor: transformou um show de abertura em um manifesto vibrante.
