Mulher indígena, amazônida de Santarém, artevista socioambiental, cantora, compositora, escritora, vocalista do grupo de mulheres indígenas Suraras do Tapajós e fascinada pela dança, Carol Pedroso lança o seu primeiro EP, “Eu canto minha força, meu lugar”, com direção musical de Manoel Cordeiro e participações especiais de Dona Onete, Lia Sophia, O Som Que Vem Delas e Suraras do Tapajós.
“Eu Canto Minha Força, Meu Lugar é um projeto musical que traduz minha trajetória como artista, em canções inspiradas na minha ancestralidade, na força das mulheres e na resistência dos povos da floresta. E destaco minhas referências musicais, através de grandes experimentações e colaborações artísticas, como instrumento de transformação e afirmação cultural. O projeto também evoca memórias afetivas, como a homenagem a minha avó Isabel Pedroso, e dialoga com as múltiplas linguagens artísticas que compõem minha vivência artística no cenário cultural’, conta a cantora.
O EP reúne referências da música amazônica, com destaque para Manoel Cordeiro na direção musical e para Maria Lídia, Manoel Cordeiro, Jana Figarella e Dona Onete, parceiros nas composições Carimbó da Beca e Força Feminina.

O projeto também fortalece o protagonismo feminino, contando com a participação especial de artistas como Lia Sophia, o coletivo O Som Que Vem Delas e o grupo Suraras do Tapajós, além de músicos que abraçaram a parceria desde o início: Beá, Daniel Serrão, Gustavo, Jucelma Marinho, Júlio Tapará, Márcio Jardim, Maria Borges e Ruy Vilasboas.
O EP é composto por 4 faixas: Carimbó da Beca, Força Feminina, À Belém e Batuque de Alter. São músicas que expressam a mistura do tradicional com novas experiências musicais, introduzidas pelo grande Mestre da Guitarrada, Manoel Cordeiro. Através do carimbó, exalto a força, identidade e pertencimento à cultura da minha terra. Valorizo e divulgo nossas riquezas culturais, crio um espaço de interação entre artistas locais, e proporciono colaborações que fortalecem a diversidade musical da Amazônia.
Faixa a faixa pela artista
Carimbó da Beca: A canção nasceu em 12 de maio de 2022, a partir de uma noite de afeto e brincadeira com minha avó Isabel Pedroso, a Beca, como forma de homenageá-la. A música retrata suas vivências, sua alegria em dançar carimbó e o amor pela cultura paraense, valores que marcaram minha formação. Inspirada também em Dona Onete, referência feminina do carimbó e de quem minha avó era grande fã, a obra celebra a memória, ancestralidade e identidade cultural.
Força Feminina: A canção surgiu em julho de 2022 e, para a construção do EP, passou por transformações em parceria com as compositoras Jana Figarella e Maria Lídia. A obra narra minha trajetória artística, origem, crenças e vivência enquanto mulher indígena, expressando o amor por Santarém e Alter-do-Chão. A música exalta o protagonismo feminino e reverencia mulheres artistas da região, como Maria Lídia, Jana Figarella, o coletivo O Som Que Vem Delas e o grupo Suraras do Tapajós.
À Belém: A canção foi escrita em junho de 2022, após meu retorno à Belém já na fase adulta, quando pude vivenciar mais profundamente a história e os espaços da cidade, depois de muito ouvir relatos de minha família. A música traduz sensações marcantes como tomar açaí no Ver-o-Peso, dançar carimbó e brega na Estação das Docas e sentir os aromas do rio e dos peixes. Em forma poética e musical, a obra é uma homenagem afetiva de uma paraense à cidade de Belém.
No Batuque de Alter: A canção foi escrita em junho de 2020, em plena pandemia, e faz referência às mulheres indígenas, acolhendo e representando todas as mulheres. A letra da música afirma a força, a independência e o empoderamento feminino, especialmente nos espaços da música e da dança, como podemos presenciar cotidianamente em Alter-do-Chão. O carimbó pode ser uma dança livre e também de pares. Porém, a música reforça que a mulher é plena e realizada, mesmo sem a presença de um parceiro.
