Existe um Maranhão que pulsa pelos paredões das radiolas. Um Maranhão onde o reggae atravessa becos, praias, quintais, clubes e ruas como memória coletiva, linguagem popular e força cotidiana. É desse universo – conhecido mundialmente como Jamaica Brasileira – que nasce Fruto da Terra, novo álbum de Gugs.
Diretamente de São Luís do Maranhão, o artista transforma a experiência do reggae maranhense em linguagem contemporânea, aproximando reggae roots, rub-a-dub, dancehall, dub, afrobeat e hip hop sem perder a cadência quente e ritualística que marca a relação histórica da ilha com o gênero.
“Quem nasce em São Luís cresce ouvindo reggae. É uma música que toca nas ruas, nos bairros, nos carros e dentro das casas. Fruto da Terra nasce justamente dessa vivência coletiva da Jamaica Brasileira”.
Ao longo de 12 faixas, Gugs constrói um disco atravessado por espiritualidade, identidade, permanência e memória afetiva. Inspirado pelas “pedras”, pelos rewinds infinitos das radiolas e pela cultura sound system que moldou gerações em São Luís, o álbum equilibra tradição e contemporaneidade dentro da mesma frequência.
Mais do que um conjunto de músicas, Fruto da Terra funciona como uma experiência imersiva dentro da cultura reggae do Maranhão. A Intro e o Interlúdio atuam como fios condutores do álbum através das falas de DJ Netto Myller, figura histórica do reggae maranhense, conduzindo o ouvinte para dentro da atmosfera dos clubes de reggae de São Luís, como se cada faixa fosse apresentada ao vivo dentro de uma radiola.
As participações do álbum funcionam como extensões naturais desse percurso. Em “Segura a Pedra”, Rosy Valença e Fauzi Beydoun celebram o reggae de raiz de São Luís; “Não Desista”, com Célia Sampaio, aclamada como a “Dama do Reggae”, transforma fé em permanência coletiva; Victor Cena e Nairond aparecem em “Atins Mo Fya”, enquanto Klicia participa de “Daquele Jeito”, faixa que incorpora espiritualidade e cultura local em uma batida steppa dançante. Já “Eu e Tu”, ao lado de Gill Enes, desacelera o disco em uma love song atravessada pela maresia da ilha. Em “Não Pega”, o encontro entre Mad Professor, Joe Ariwa e Casa 13 aproxima Maranhão, Jamaica e Londres dentro da mesma vibração dub.
