Após três anos em atividade na cena de funk e hip-hop de Campinas, o jovem artista Cauãzin 019 apresenta seu álbum de estreia, Do Loteão Pro Mundo. Desde o início da trajetória, aos 15 anos, o artista vem chamando atenção pelo estilo melódico e por letras que traduzem suas vivências com autenticidade, sempre a partir do Loteão, território que atravessa e fundamenta sua identidade artística.
“Pra mim, Do Loteão pro Mundo é um retrato de experiências que acontecem aqui na ‘vila’, ainda mais pela ótica de um moleque de quebrada. Trazer meu território, minha inocência e minha evolução foi o que busquei traduzir no álbum. A absorção dessas vivências contribuiu para o meu desenvolvimento, tanto crítico quanto pessoal. Mesmo sendo muito novo, sempre vi na criação desses cenários uma válvula de escape”, destaca o artista.
Realizado com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Campinas, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas – FICC 2024, o projeto marca um feito histórico ao se tornar o único álbum de funk contemplado por edital público na cidade. Mais do que viabilizar o lançamento, a iniciativa amplia o alcance de uma produção conectada à realidade da cena e reforça a importância de políticas públicas na legitimação de trajetórias como a de Cauãzin – jovem artista preto e periférico que traduz, em sua música, a vivência e a potência das culturas urbanas.
“O apoio que o FICC dá ao projeto foi, na verdade, um tapa – no melhor sentido. Desde a minha profissionalização como artista, venho lidando com o trabalho, a seriedade e todas as demandas burocráticas que existem por trás. E também é um tapa em tudo que já disseram sobre um projeto de funk ser financiado por um órgão da Prefeitura de uma cidade como Campinas. Fazer um projeto desse sendo um artista novo, trabalhando a estética dessa cultura, coloca tudo numa proporção gigantesca. Colocar o gênero nessa prateleira – não que eu seja o único ou o primeiro -, pra mim, é muito gratificante.”
Com produção assinada pelo duo OSVITÃONOBEAT (Granadeiro Guimarães e vlopse), o disco se constrói a partir do funk em suas diferentes vertentes, transitando entre o consciente, o “130BPM”, e as texturas do Funk de BH. A sonoridade percorre caminhos diversos sem perder coesão, criando uma base sólida para as narrativas que atravessam o projeto.
