Formada em novembro de 2018, a banda Punho de Mahin surge como uma resposta direta às opressões que atravessam a população negra e periférica do Brasil . Natália Matos (vocal), Paulo Tertuliano (bateria), Du Costa (baixo) e Camila Araújo (guitarra) — quatro músicos negros vindos de diferentes quebradas de São Paulo, como São Bernardo do Campo, Cotia, Ribeirão Pires e a Brasilândia — uniram suas experiências na cena underground paulistana para construir um som que é ao mesmo tempo denúncia e celebração .
A escolha do nome não foi acidental. Luísa Mahin, mulher africana livre que articulou revoltas contra a escravidão na Bahia do século XIX . “Queremos resgatar a história das frentes de resistência que atuaram no passado e foram apagadas”, afirmam.
Autointitulada “ponta de lança do afropunk”, a banda carrega nas letras e na sonoridade marcas dessa herança . Em seu álbum de estreia, Embate e Ancestralidade (2022), e no recente Entre a Penitência e a Ruptura (2026), canções como “Navio Negreiro”, “Racistas” e “Carlos Marighella” misturam a fúria do hardcore com instrumentos como berimbau, atabaque e pandeiro — uma síntese que a vocalista Natália Matos sintetiza com clareza: “O punk nasceu preto” .

Natália Matos, indicou para gente algumas de suas maiores influências nas artes.
5 Discos
“Minha formação no Punk e a construção da minha identidade política baseiam-se nestes álbuns”
• The Clash – Sandinista! (1980): Um clássico político! Um marco de criatividade e possibilidades rítmicas. Vale lembrar que o nome faz referência à Frente Sandinista de Liberación Nacional, partido socialista batizado em homenagem a Augusto César Sandino, líder da resistência contra a ocupação dos EUA nos anos 30.
• Os Replicantes – Histórias de Sexo e Violência (1987): Amo Replicantes; é a banda da minha vida. Não vejo a hora de termos a oportunidade de tocarmos juntas: Punho de Mahin e Os Replicantes! Tenho vários LPs e, no meu enterro, vai tocar “Sandina”!
• Autogestão – Esse é o País da Cracolândia (2000): A primeira vez que fui a um show foi na Concha Acústica de Santo André. Tocaram Autogestão, Subviventes e mais uma banda de que não recordo o nome — procurei o flyer nas minhas recordações, mas não encontrei. Esse disco marcou uma geração no ABC e na Zona Leste de SP no começo dos anos 2000. Assisti aos shows inúmeras vezes. Saudades da banda.
• Cólera – Pela Paz em Todo o Mundo (1986): Ano do meu nascimento. Este é um disco atemporal que moldou a juventude de quatro gerações.
• The Best Of Johnny Rivers (1966): Meu pai tinha uma fita K7 e eu ouvia muito quando era criança.
5 Filmes
• What Happened, Miss Simone? (2015) | Direção: Liz Garbus – O documentário narra a vida e o legado de Nina Simone — cantora, pianista e ativista americana pelos direitos civis, imortalizada como a “Alta Sacerdotisa da Soul”. É fundamental preservar a memória daqueles que lideraram lutas nas quais a própria vida estava em jogo. Embora o filme não se aprofunde tanto na discografia, vemos como Nina transformou sua voz, sua cor e sua potência em uma poderosa arma artística.

• Os Goonies (1985) | Direção: Richard Donner – Um marco da Sessão da Tarde. Sempre que me lembro, assisto novamente.

• Malês (2024) | Direção: Antonio Pitanga – Retrata a maior revolta contra a escravidão no século XIX: a Revolta dos Malês. Viva Nagô! Viva Malê!

• Doutor Gama (2021) | Direção: Jeferson De – Biografia de Luiz Gama. Um filme simples, mas essencial para começarmos a descrever a grandeza desse homem.

• Eles Não Usam Black-Tie (1981) | Direção: Leon Hirszman – Um clássico sobre a luta sindical e os dilemas entre o combate à exploração do trabalho e a subjugação “necessária” para o sustento da família.

