As treze faixas que compõem o disco condensam o universo sonoro de um artista amadurecido e permanentemente renovado, entre baiões, sambas de diversos gêneros, pitadas de jazz, xotes, capoeiras e ijexás.
Se tivermos que definir os vinte e cinco anos de carreira artística de Moyseis Marques em uma palavra, minha sugestão é que ela seja “Brasilidade”. Isso é reforçado em seu último álbum, “Na Matriz”, lançado no mês passado.
O canto de Moyseis ressoa nos arrasta-pés das tabocas severinas, no samba riscado dos subúrbios cariocas e na imponência calada das grandes gameleiras. Ao mesmo tempo em que embala os malandros maneiros da Vila da Penha, traz o cheiro das juremas, umbuzeiros, jatobás e xique-xiques das caatingas floradas do sertão.
Ao longo de treze faixas, este “Na Matriz” traz canções compostas por Moyseis com os mais velhos Nei Lopes, Moacyr Luz e Cristóvão Bastos; chama pra roda o jornalista Luiz Pimentel, a poetisa paraibana Socorro Lira e o professor que escreve essas linhas; celebra parcerias com os companheiros de geração e caminhada João Martins, Max Maranhão, Elisa Queirós, Khrystal, Zé Paulo Becker e Rudá Brauns.
Com arranjos de Rafael Mallmith e com um time de músicos que mais parece a Seleção Brasileira de 1970, o álbum conta ainda com as luxuosas participações do cantor Mosquito, do grupo vocal Ordinarius e das cantoras Fabiana Cozza, Mônica Salmaso e Maria Menezes; divas da grande tradição do canto feminino do Brasil.
As treze faixas que compõem o disco condensam, de certa forma, o universo sonoro de um artista amadurecido e permanentemente renovado, entre baiões, sambas de diversos gêneros, pitadas de jazz, xotes, capoeiras e ijexás. A luminosidade do canto brasileiro de Moyseis – banhado e maturado nas águas africanas que desaguaram nos subúrbios cariocas – assombra o ouvinte e reverencia o tempo espiralado de Exu. Na Matriz parece, enfim, pontuado o tempo todo por uma sentença do grande pensador popular Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo: nós somos o começo, o meio e o começo. Nossas trajetórias nos movem, nossa ancestralidade nos guia.
