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Produtor do Festival de Música Negra sem negros contratou a si mesmo com dinheiro público em outro evento

Produtor do Festival de Música Negra sem negros contratou a si mesmo com dinheiro público em outro evento

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O Festival de Música Negra, realizado no último fim de semana, vem sendo alvo de duras críticas devido à baixíssima presença de artistas negros em sua programação. A polêmica, no entanto, não é a primeira envolvendo o nome do produtor responsável pelo evento, Luciano Pontes Garcia, conhecido artisticamente como Luciano Ibiapina.

Presidente da Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação (ABC-DF), entidade responsável pela elaboração do festival, Ibiapina já havia protagonizado outras controvérsias há cerca de três anos, conforme apontam reportagens do portal Metrópoles.

Em junho de 2023, o Metrópoles revelou que a associação presidida por Luciano Ibiapina recebeu R$ 3 milhões da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) para administrar os desfiles das escolas de samba da capital naquele ano.

A investigação apontou, no entanto, que a associação possuía o mesmo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do Grêmio Recreativo Carnavalesco de Vicente Pires (Gruvipi), escola vencedora do grupo de acesso do Carnaval de 2023. A coincidência gerou suspeitas de conflito de interesses, uma vez que a entidade foi responsável por pagar os jurados do desfile, que acabaram concedendo o título justamente ao Gruvipi.

À época, a associação se chamava Instituto Candango de Política Social e Econômica Criativa (ICPec). Após a polêmica, houve a mudança de nome para Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação (ABC-DF).

Em defesa, Luciano Ibiapina declarou à reportagem que o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) analisou o caso e concluiu que não existia ilegalidade.

No mês seguinte à primeira reportagem, o Metrópoles apontou outro episódio controverso envolvendo o produtor. Em dezembro de 2021, Luciano Ibiapina contratou a si mesmo no projeto “Brasília Viva Live Show”. O então ICPec, presidido por ele, recebeu R$ 567 mil por meio de um termo de fomento para a realização do evento.

O evento, realizado de maneira virtual devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, ocorreu no dia 5 de dezembro daquele ano. Entre os artistas a se apresentar estava o próprio Luciano Ibiapina, que subiu ao palco virtual em um show de uma hora (das 19h10 às 20h10). Pela apresentação, ele recebeu o cachê de R$ 15 mil.

A mais recente polêmica envolvendo o produtor diz respeito ao Festival de Música Negra. A edição realizada no último fim de semana foi criticada por público e especialistas devido à baixíssima representatividade de artistas negros na programação — um contraste evidente com a proposta temática do evento.

Até o momento, Luciano Pontes Garcia não se manifestou oficialmente sobre as críticas à edição mais recente do festival. A reportagem segue aberta para esclarecimentos.

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Última atualização em: 3 de maio de 2026 às 12:00

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