Minha vida sexual sempre respirou por aparelhos. Por anos eu achava que o problema era eu. Já cheguei até cogitar que era uma questão anatômica, fisiologia e que eu não tinha como ter prazer. Toda relação era a mesma coisa… Muita dor, queimação, fisgada, cólica e frustração. Eles não entendiam e eu chorava sozinha. No desespero de tentar ser uma mulher como todas as outras, já até tinha procurado ajuda espiritual. Fazia de tudo e nada. Fazia exames e nada. Todo mundo me dizia que era psicológico. Talvez beber um vinho, uma massagem e até mesmo uma droga. Eu evitava o sexo, fugia das minhas vontades. Não conseguia usar vibrador, fazer exames… Era um inferno.
Minha primeira vez não foi legal, e depois do estupro tudo piorou. Eu tentava me provar o tempo todo que ia conseguir e só me machucava mais. Tinha depressão e comecei a não marcar mais dates. Foquei em buscar respostas, mesmo já sem esperança. Até que um dia ouvi sobre uma fisio que eu não sabia que existia. A fisioterapia pélvica. Finalmente alguém estava falando sobre tudo que eu sentia sem uma receita de miojo de 3 minutos prometendo mágica.
Comentei com minha melhor amiga, e de presente de 30 anos, ela me deu 5 sessões de aniversário. Para ser bem sincera, eu achava que 5 sessões não seriam suficientes. Na terceira sessão, eu me senti exatamente como uma flor brotando e procurando a luz do sol. Descobri meu corpo, meus limites. Descobri uma vida sem VAGINISMO. Isso mesmo. Minha dor tinha nome: VAGINISMO. Milhares de pessoas com vulva sofrem com isso. Basicamente, sua musculatura pélvica fica tão rígida que impede que você relaxe e tenha qualquer tipo de penetração sem dor, e se tem, é horrível. Pode ser traumático, pode ser pela sua criação muito rígida, e pode ser fisiológico também. Além de todo pesadelo, ainda pode afetar sua saúde intestinal e sistema urinário.
Tinha vaginismo dos 21 até os 30. Foram anos que eu não desejo para ninguém. Culpa, dor, vergonha. Só de saber que teria uma relação sexual, eu já sentia dor antes de qualquer coisa. Era um vazio surreal. E saber que agora posso levar minha vida como as outras mulheres levam, é tão bom. Eu só posso agradecer a minha espiritualidade, a minha melhor amiga e a profissional Debora Soares por todo carinho e dedicação. Eu estou fazendo esse relato com intenção de conscientizar e mostrar para as pessoas outras realidades e soluções. A gente precisa parar de normalizar dor, desconforto. A fisio pélvica não serve só para vaginismo… Tem várias outras indicações, e mulheres deveriam fazer. Assim como também tem indicações para homens. Endometriose, dor pélvica crônica, menopausa, secura vaginal, incômodo na entrada… Enfim, tem solução sim. Não tenha vergonha e não perca sua fé. Procure ajuda até conseguir, assim como eu fiz. Não desiste de você e do seu direito de viver saudável, e feliz. Dor precisa ser investigada e tratada. O conhecimento liberta e muda vidas.
