Sentir desconforto abdominal, inchaço ou alterações intestinais após consumir alimentos com trigo pode ser mais do que uma reação alimentar passageira. A Doença Celíaca, condição autoimune crônica relacionada ao glúten, afeta milhões de pessoas no mundo e, muitas vezes, pode passar anos sem diagnóstico.
A médica endocrinologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Fernanda Magalhães, explica que a doença acontece quando o organismo reage ao glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, provocando inflamação e danos no intestino delgado.
“A doença celíaca impede a absorção adequada de nutrientes, podendo causar diarreia, dor abdominal, anemia e até desnutrição. É uma condição crônica e o único tratamento é a exclusão total do glúten da alimentação por toda a vida”, afirma a especialista.
Segundo a médica, a prevalência da doença celíaca na população mundial é estimada entre 1% e 2%, afetando aproximadamente uma em cada 100 pessoas.
Sintomas vão além do intestino
Embora os sintomas gastrointestinais sejam os mais conhecidos, a doença celíaca pode se manifestar de diferentes formas e atingir outros sistemas do organismo.
Entre os sinais mais comuns estão diarreia ou prisão de ventre crônica, distensão abdominal, dores, gases e vômitos. No entanto, também podem surgir sintomas sistêmicos, como perda de peso, anemia, osteoporose, fadiga intensa e enxaquecas.
“Em crianças, a doença pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento. Também existem manifestações na pele, como a dermatite herpetiforme, caracterizada por lesões com coceira”, explica Fernanda.
